Entrar Via

Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 154

Lorena franziu a testa, o olhar enevoado, encarando o rosto bem na frente dela. Ela murmurou:

— Por que você jogou fora as minhas cartas de amor? Eram minhas, foram outras pessoas que escreveram para mim.

— Eu era o representante de turma. — Isaac respondeu com a expressão fechada. — A escola não permitia namoro.

Lorena apertou ainda mais o cenho. Que tipo de justificativa era aquela…

Ela começou a bater com força no ombro dele:

— O que isso tem a ver com você? Você só era o representante, não era o coordenador! As cartas de amor eram minhas, faziam parte da minha vida, que direito você tinha de se meter? Que direito você tinha de jogar fora as minhas coisas?

Os olhos de Lorena estavam pesados de bebida. Os socos não doíam de verdade, mas cada um deles vinha carregado de força, caindo firme no ombro e no peito dele.

— Você ficou muito irritada? — Isaac segurou a mão dela. — Só porque eu joguei fora as suas cartas de amor?

— É claro que eu fiquei! Se alguém escreve cartas de amor para mim… — Ela começou a se lembrar, confusa, do tempo de colégio.

O ensino médio proibia namoro, mas, na adolescência, quem é que nunca tinha se apaixonado em silêncio? Ela, por exemplo, tinha gostado de Isaac em segredo. Só que, durante todo o ensino médio, ninguém tinha gostado dela. Priscila e várias das meninas do grupo recebiam presentes de meninos, cartões, bilhetes, cartas. Só ela nunca tinha recebido nada disso.

Naquela época, Lorena tinha uma baita insegurança. Ela tinha nascido em uma família em que o pai não gostava dela, a mãe muito menos. Desde pequena, o que ela mais ouvia deles era crítica e humilhação. Diziam que ela não chegava aos pés do irmão, que até o fato de ela ser menina já era um erro. Tudo o que ela fazia parecia irritar os pais. Então, no fundo, lá no cantinho mais escondido do peito, ela acreditava que, tirando a avó, ninguém no mundo gostava dela. Muito menos um menino.

Ela não choraria só porque não recebia carta de amor. Mas, se um dia tivesse recebido, seria pelo menos uma forma de confirmação, uma prova de que, talvez, ela não fosse alguém que todo mundo detestava…

— E se tivesse alguém? O que você faria? Começaria a namorar o cara? — Isaac apertou, sem deixar o assunto morrer.

Lorena franziu ainda mais a testa. Em que momento ela tinha dito que ia namorar alguém?

— Eu vou te dizer uma coisa: a maioria daqueles moleques não presta! O namorado da Priscila, por exemplo, os dois começaram esse namoro bem cedo, não foi? Você nem imagina quantas vezes eu vi aquele sujeito com outras meninas por aí! Na idade em que vocês estavam, vocês não sabiam de nada. Qualquer cara que fosse um pouco gentil já deixava vocês balançadas. No fim, eram vocês que saíam machucadas.

O coração de Lorena deu um tranco.

— Então ele é o quê? — Isaac, de repente, ergueu a voz. — Que tipo de cara ele é?

— Ele é… uma pessoa muito boa. Quando ele gosta de alguém… ele gosta de verdade, por muito tempo…

Na realidade, Lorena não conhecia tão bem assim o Gael. No ensino médio, eles quase não tinham convivido. Mas ela sabia que ele tinha escondido um cachorro no dormitório, um cachorro bem feio, que ele tinha resgatado da rua. Tantos anos tinham passado e, na última vez em que ela tinha visto o perfil dele, o cachorro ainda estava lá. Já era bem velho, e Gael continuava cuidando dele com todo carinho.

— Sra. Cunha!

O tom de Isaac explodiu, deixando claro que ele estava à beira de perder o controle.

— Lorena!

Alguém chamou do lado de fora da janela.

Lorena quis ver quem era, mas, de repente, os lábios dela foram cobertos por um calor úmido.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Cinco Anos de Um Casamento Vazio