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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 166

O olhar de Isaac mudou na hora.

Lorena sorriu e cumprimentou com toda naturalidade:

— Olá, Sr. Cunha.

— O que você está fazendo aqui? Já teve alta?

Pelo olhar de Isaac, dava para ver que ele não estava nem um pouco "bem".

— Sim. Prazer em reencontrar você. — Lorena respondeu, sorrindo.

O rosto de Isaac fechou de vez:

— Você teve alta e nem me avisou?

O sorriso de Lorena continuou aberto, quase radiante:

— Eu não quis atrapalhar você, não é? Não vou tomar mais o tempo de vocês, eu já estou indo.

— Espera. — Isaac a chamou.

Lorena arqueou levemente as sobrancelhas. Será que ainda tinha mais alguma coisa?

— O que foi? Você ainda arrumou tempo para me levar de volta?

— Nós voltamos juntos daqui a pouco. — Ele disse.

— Não precisa. — Ela respondeu, sorrindo. — Querido, nós não vamos para o mesmo caminho.

"Daqui a pouco, nós vamos seguir caminhos totalmente diferentes. Faltam seis dias para a contagem regressiva acabar". Lorena pensou, em silêncio.

A expressão de Isaac escureceu ainda mais:

— Se você não vai para casa, você vai para onde?

— Não fica bravo, Isaac! — Aurora entrou no meio da conversa imediatamente, com um ar assustado, olhando para Lorena. — Lorena, me desculpa, por favor não fica com raiva do Isaac, vocês não briguem. O Isaac só veio aqui me acompanhar na consulta de retorno. O tratamento da outra vez funcionou bem, então hoje eu pedi para o médico passar outro receituário.

Isaac também tratou de explicar:

— Os pais da Aurora não moram em Huambo. Ela está sozinha aqui, não tem ninguém. Eu sou o melhor amigo dela. Se eu não vier com ela, quem é que vem?

— Eu achei aquele óleo medicinal muito bom. Depois que eu passo, minha barriga inteira esquenta, é uma sensação ótima, não é, Isaac? — Aurora terminou a frase levantando o queixo para perguntar a Isaac, como se quisesse exibir algo.

Então era isso: ela estava ali esperando só para esfregar na cara de Lorena que Isaac massageava a barriga dela.

Lorena apenas sorriu e balançou a cabeça:

— Eu não preciso consultar nada, não. E, além disso, não é porque um casal não tem filhos que o problema é, obrigatoriamente, da mulher. Eu, no seu lugar, sugeriria que o Isaac fizesse uns exames. Seria a opção mais sensata. Hum… Acho que esse ambulatório também tem setor de andrologia, não tem?

Quando ouviu aquilo, até a cor do rosto de Isaac pareceu mudar.

— Ah, não faz assim. — Lorena continuou sorrindo, com um tom de quem dava conselho sincero. — Eu sei que homem tem o orgulho lá em cima e nunca admite que pode ter problema "nessa área". Mas se tem alguma coisa errada, tem que tratar. Não adianta esconder a doença e se recusar a procurar ajuda.

Enquanto dizia tudo isso, Lorena não baixou nem um pouco a voz. Falou em tom normal, muito claro. Em poucos segundos, vários pacientes na sala de espera tinham ouvido e começaram a olhar na direção de Isaac.

Por mais que Isaac apertasse o cenho e fechasse a cara, ele não conseguia se proteger daqueles olhares curiosos. Ele rangia os dentes quando falou, em voz baixa:

— Lorena, para de falar besteira.

— Eu só estou querendo ajudar, como é que isso é falar besteira? Eu também quero que você vire pai logo, não quero? — Lorena acenou com a mão. — Eu não vou mais atrapalhar a consulta de vocês. Eu já vou indo. Tchauzinho.

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