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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 168

— Vó? Lorena? — Isaac olhou para as duas, surpreso.

Assim que Rita viu Isaac, ela achou que tinha sido Lorena quem o chamara. Ela sorriu toda contente:

— Isaac, que bom que você veio! Senta, senta. Eu e a Lorena já pedimos alguns pratos, eu não sabia o que você ia querer, então você escolhe mais alguma coisa.

Isaac não tinha ido ali para jantar com elas.

Lorena não disse nada. Ela ficou com um meio sorriso nos lábios enquanto rasgava o pãozinho de entrada, mergulhava no molho especial da casa e levava à boca. A textura era rica, o sabor excelente.

Isaac hesitou por um instante, mas acabou se sentando na cadeira ao lado de Lorena:

— Não tem problema, vó. Eu vivo ocupado, quase nunca tenho tempo de comer com vocês. Vocês chegaram antes, é normal já terem pedido. Eu como qualquer coisa.

Lorena achou aquilo estranhíssimo. Será que depois de conviver tanto com aquele bando de gente de fachada, ele também tinha aprendido a fazer cena?

Isaac chamou o garçom e pediu um filé.

Antes mesmo de os pratos começarem a chegar, o celular de Isaac tocou.

Da posição em que Rita estava, ela não conseguia ver a tela. Mas Lorena via perfeitamente: no visor, aparecia [Amor Aurora].

E, para surpresa dela, Isaac não atendeu. Ele simplesmente desligou a chamada. Era quase como se o sol tivesse nascido no lado errado do céu.

Só que Aurora não ia desistir tão fácil. Logo em seguida, chegou uma mensagem:

[Você já chegou onde? Isaac? A gente já está toda aqui.]

— Eu vou ao banheiro. — Isaac anunciou, levantando-se.

Banheiro?

Lorena deixou escapar uma risadinha.

Isaac parou por uma fração de segundo e lançou um olhar na direção dela.

Lorena arqueou as sobrancelhas. Ela, claro, não ia expor nada ali. Aquele dia era o dia dela com a avó, um dia feliz. Ela não ia deixar nenhum rato imundo estragar isso.

Rita sorriu, toda simpática:

— Vai, vai, querido.

Isaac se afastou em direção ao fundo do restaurante. Ali atrás ficavam os banheiros, mas também as portas dos salões privados.

— Vó, eu também vou rapidinho. Se a comida chegar, a senhora já pode ir comendo. — Lorena avisou.

— Está bem, vai lá.

Lorena seguiu para o fundo do salão.

Ela viu a barra do paletó de Isaac sumir por uma das portas de um dos reservados. Ele entrou e fechou a porta, mas não a trancou nem encostou completamente.

Quando Lorena voltou à mesa, as entradas já tinham chegado.

A avó não comia nada cru, então Lorena tinha pedido ovos beneditinos para ela. Rita olhava para o prato, meio perdida, sem saber por onde começar.

Quando viu a neta se aproximando, ela perguntou:

— Mas isso aqui é todo molinho. Se eu enfiar o garfo, não vai estourar tudo? Como é que come isso? Eu tenho que comer com a mão?

— Então come com a mão mesmo. Qual é o problema? — A voz de Isaac veio da direção de trás, se aproximando.

Assim que viu Isaac, a mão que Rita já ia estendendo recuou depressa. Ela ficou ainda mais contida.

Isaac voltou a sentar ao lado de Lorena e falou para a avó, sorrindo:

— Vó, a senhora faz do jeito que tiver vontade.

Rita balançou a cabeça:

— E se eu fizer feio e deixar vocês com vergonha?

— Não vai, não, vó. Comer é para aproveitar. O importante é estar gostoso para a gente, e não um monte de regra chata. Ninguém aqui tem coragem de rir da senhora. — Isaac garantiu.

Mesmo assim, a avó não conseguiu pegar o ovo com a mão. Isaac então pediu que o garçom trouxesse uma colher.

Só aí Rita se soltou um pouco. Ela começou a comer o ovo com a colher, mas, mesmo assim, acabou furando a gema. E não foi só isso: a gema escorreu por todo lado, pelo prato, pelo queixo, pela roupa, pelo punho da mão.

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