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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 194

A pessoa que apareceu ali era justamente Isaac.

Ele, claro, não tinha vindo sozinho. Atrás dele estavam o motorista e alguns homens que Lorena não conhecia, todos de terno preto, altos, com aparência de segurança.

Os pais de Lorena vinham no meio daquele grupo, de cabeça baixa, visivelmente abatidos.

O rosto de Isaac, naquele dia, estava muito sério.

Antes, na frente da família de Lorena, Isaac sempre tinha sido gentil e generoso, atendendo a todos os pedidos, com a postura perfeita de um cavalheiro. Quando uma pessoa se mostra dócil por tempo demais, os outros se acostumam, confundem as coisas, esquecem que, se ele fosse realmente tão maleável assim, jamais teria conseguido sobreviver, tão jovem, na selva do mundo dos negócios.

Na última vez, na casa de Rita, ele já tinha deixado escapar um pedaço da verdadeira crueldade dele. E, agora, naquela cena, parecia que o espetáculo estava, de fato, começando para valer.

Quando Isaac ficava sério, ele realmente dava medo.

Um homem rindo ou explodindo de raiva está deixando a emoção sair para fora. Isso, às vezes, até alivia um pouco a tensão. O que assustava de verdade era quando alguém permanecia calmo, com uma serenidade estranha, como se nada estivesse acontecendo.

Porque, nesse caso, ninguém sabia que tipo de tempestade estava se formando lá embaixo, sob a superfície lisa do mar.

Por isso, quando Isaac entrou naquele escritório sem expressão nenhuma no rosto, o ar pareceu se contrair de repente. Era como se o ambiente tivesse congelado. Francisco não ousou nem respirar fundo.

Isaac caminhou direto até Lorena e segurou a mão dela. Do outro lado, na frente dele, estava Francisco.

Na mesma hora, Francisco abaixou a cabeça. Ele nem sequer tentou encarar Isaac.

Os homens de preto avançaram alguns passos. Michel e Bruna, que estavam no meio do grupo, vieram junto, arrastando os pés, lentos, até ficarem lado a lado com Francisco. O motorista e os seguranças cercaram os quatro, fechando o círculo.

— Isaac… o que… o que é isso? — Michel perguntou, com a voz trêmula, tentando soar simpático.

O namorado de Liliane, ali dentro, tinha percebido algumas incoerências, mas não tinha acesso suficiente para ter provas completas. Pela função, ainda não podia ver certos dados. Ele só tinha sentido o cheiro de problema e, por conta própria, começou a seguir os passos de Francisco. Depois, levou as suspeitas para Lorena.

Lorena tinha ido ali naquele dia com o objetivo de blefar. Ela conhecia muito bem o irmão: um homem sem capacidade real, que nunca tinha aguentado pressão de verdade, covarde até a medula. No cálculo dela, bastaria pressionar um pouco a mente dele para ter, no mínimo, oitenta por cento de chances de sucesso. Era, basicamente, uma guerra psicológica.

O que ela não tinha previsto era que Isaac estivesse fazendo a mesma coisa que ela, só que com provas completas.

Daquele ponto em diante, não havia mais discussão. As exigências de Isaac eram iguais às dela: ele queria que Michel abrisse mão da casa da mãe dele e de tudo o que viesse da demolição.

Michel, por mais que tentasse, simplesmente não conseguia entender o porquê. Com o rosto desfigurado num choro feio, ele começou a reclamar:

— Por quê, Isaac? Por quê? Você está de olho em uma indenização de nada dessas? Se você sacudir o seu paletó, caem mais moedas do que isso!

A expressão de Isaac deixava claro: ele não via a menor necessidade de explicar nada. Para ele, Michel só precisava escolher entre duas coisas, abrir mão da casa ou ver Francisco indo parar na cadeia.

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