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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 204

— Você falou… — Lorena ainda estava com o riso preso do programa de humor, e o sorriso não tinha sumido do rosto. — Para o Breno cuidar bem da Aurora. Você falou que ama muito, muito a Aurora, mas que, nesta vida, você tem que ser responsável por mim.

— Só isso? — Isaac fixou o olhar nela.

— Só isso. Você achou que tinha falado o quê a mais? Está com a consciência pesada? — Lorena olhou para ele, ainda rindo.

O olhar de Isaac vacilou por um instante.

— Não… não.

— Então pronto. Agora não atrapalha o meu programa. — Lorena afastou a mão dele.

— Você não ficou brava? — Isaac estudou o sorriso dela, como se quisesse decifrar alguma coisa.

— Por que eu ficaria brava? Esse programa é muito engraçado. — Disse Lorena, e voltou a cair na gargalhada.

Mas não durou muito. De repente, Isaac a puxou para perto, abraçando-a com força e segurando sua nuca, fazendo com que o rosto dela encostasse no ombro dele.

— Lorena, quando a sua avó volta?

— Por quê? — O coração de Lorena disparou. Será que ele tinha percebido alguma coisa?

— Que tal depois de amanhã? A partir de depois de amanhã eu vou ter uns dias livres. A gente podia levar a sua avó para viajar. A gente combinou isso, não combinou? — Isaac falou.

— Isso… a gente vê depois. A minha avó ainda nem sabe o dia de volta. — Lorena respondeu. Por dentro, só pensava em como aquilo era irônico. Ela e a avó realmente tinham uma viagem marcada. A única diferença era que ele não fazia parte dos planos.

— Afinal, com qual amiga velha a sua avó foi se encontrar? Como pode demorar tantos dias assim? — No tom de Isaac havia até uma ponta de queixa.

— Escuta, ela é a minha avó. Por que é você que está suspirando?

— A sua avó não é a minha avó também? — Isaac se levantou. — Chega de brincadeira. Eu tenho que ir para a empresa. Hoje eu tenho coisas importantes para resolver.

Lorena continuou olhando para a tela e, de novo, explodiu em risadas.

— Hoje eu não vou ter tempo de fazer café da manhã para você. Pede alguma coisa por delivery. — Isaac desceu da cama, trocou de roupa às pressas e saiu.

Só depois que ele foi embora é que Lorena fez uma chamada de vídeo para a avó. Rita tinha acabado de voltar do café da manhã no restaurante do hotel, com o rosto corado e o humor leve. Lorena finalmente ficou tranquila.

Ela mesma também precisava sair da cama e comer alguma coisa.

Isabela ainda estava internada. Em casa, não tinha mais nada. Nem lanche. Só um pacote de batata chips largado num armário.

— Sim. Cliente pediu envio para conserto. — Respondeu uma voz muito parecida com a do entregador de pouco antes.

Mas Lorena não conseguia gritar. Não conseguia se mover. Só sentiu quando a caixa foi colocada dentro de um veículo e o carro arrancou. Ela não fazia ideia de para onde estava sendo levada.

Quando finalmente chegaram ao destino, a caixa foi novamente erguida e largada no chão. Depois, abriram a tampa, tiraram-na de dentro e removeram o saco que cobria sua cabeça.

Durante todo o trajeto, Lorena tinha tentado adivinhar quem poderia ter ordenado aquilo. Ela tinha sido extremamente cuidadosa. Naqueles dois dias finais, praticamente não saía de casa.

Mas, por mais que tentasse calcular, algo ainda tinha saído errado. Ela morava naquela casa havia cinco anos e nunca tinha acontecido nada. Antes, abria e fechava a porta com muito menos cautela.

Quando finalmente conseguiu enxergar, percebeu que estava em um prédio em construção, abandonado no meio da obra. Assim que saiu do saco, dois homens a imobilizaram e a empurraram para o chão. Amarraram seus pulsos e tornozelos com cordas grossas.

Agora ela também conseguia ver melhor: um dos homens era o próprio "entregador". Ele ainda usava o uniforme da empresa.

— Fique aí esperando. — O falso entregador disse, jogando-a para o canto.

Seria impossível dizer que não estava com medo. O corpo inteiro de Lorena tremia. Mas o medo não servia para nada ali.

Ela se forçou a observar o ambiente. Pela altura, calculou que estavam no mínimo no décimo andar. O prédio estava cru, sem janelas, sem acabamento. As aberturas davam direto para o vazio. Mesmo assim, pular dali era absolutamente impossível.

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