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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 229

Naquela noite, Lorena e Rita ficaram no apartamento novo, recém-limpo, com aquele cheirinho suave espalhado por todo canto. Lorena sentiu que o ar do mundo nunca tinha sido tão leve quanto naquele momento.

Lorena desligou o celular. A pessoa que ela mais amava estava ali do lado, então ela dormiu sem nenhuma preocupação e dormiu mesmo, por completas doze horas.

Quando ela acordou, ela se sentiu renovada, com o corpo inteiro solto e confortável.

Lorena pegou o celular, ligou o aparelho e viu que Isaac tinha ligado várias vezes. No WhatsApp e por mensagem, também tinha um monte de recados, uma sequência de pontos de interrogação, e ainda uma mensagem: [Você está fazendo o quê? Por que o celular não chama?]

Lorena não respondeu.

O ar-condicionado estava numa temperatura perfeita, a cortina blackout ainda não tinha sido aberta. Ela ficou deitada na cama, lembrando que, no dia anterior, ela e Rita já tinham combinado o café da manhã de hoje, então ela não teve pressa para levantar. Ela resolveu ficar mais um pouco enrolando na cama.

Só que Isaac voltou a importunar, e agora com chamada de vídeo.

Lorena não atendeu e recusou a chamada.

Isaac mandou mensagem:

[Por que você recusou?]

Lorena respondeu:

[Acabei de acordar, ainda nem me arrumei.]

Isaac mandou outro convite de vídeo.

Lorena olhou em volta. Era impressionante como o gosto de uma pessoa podia ser tão fixo. A cama em que ela estava deitada, com o jogo de lençol completo, tinha uma cor e um estilo muito parecidos com os da cama de casa. Então ela atendeu.

O celular estava bem perto do rosto dela. Ela ajustou o ângulo e, de repente, a tela inteira ficou tomada pela cara dela. Como ela tinha dormido muito bem, o rosto dela ainda tinha um tomzinho rosado.

Assim que a viu, Isaac comentou:

— Eu dormi na mesma cama que você por cinco anos, você acha mesmo que eu não sei como você fica quando acorda sem se arrumar? Nem isso você quer deixar eu ver?

Lorena ficou com os olhos meio fechados e não falou nada.

— Por que você desligou o celular?

Lorena revirou os olhos:

— Porque eu estava com medo de você me acordar.

Isaac ficou sem resposta por um instante:

— Você ainda está dormindo em pé, hein? Sua porquinha preguiçosa.

Foi um apelido totalmente fora de lugar.

Lorena sabia que, entre casais, surgiam muitos apelidos estranhos e melosos, e que "porquinha" podia até ser um deles. Mas aquilo nunca tinha existido entre ela e Isaac. Por isso soou tão estranho, tão forçado, que para Lorena aquilo virou uma dessas tentativas românticas que só causavam constrangimento e repulsa.

— Aurora, eu já te falei que, quando a vida é boa, a gente divide. Quando a coisa aperta, é comigo. Eu não estava brincando. Agora é a fase boa, é a hora de todo mundo aproveitar junto. — Isaac pegou o pegador de açúcar, colocou alguns cubinhos na xícara dela e mexeu. — Esquece esse negócio de café puro. Daqui para frente, a sua vida vai ser sempre doce.

— Tá bom. — Aurora levantou o rosto, com os olhos brilhando, quase cheios de lágrimas, mas mesmo assim ela se forçou a sorrir. Era um sorriso forte, que exigia esforço, e por isso mesmo deixava o peito de qualquer um apertado. — Isaac, eu acabei de ver você falando com a Lorena por vídeo. A Lorena é realmente muito bonita. Você cuida tão bem dela que a pele dela é perfeita, sem um defeito. Que inveja. Eu não sou nem um pouco assim…

Ela passou a mão pelo próprio rosto e deu um sorriso amargo.

— Aurora. — Isaac falou. — Em qualquer situação, você é a mulher mais bonita.

— Não vem querer me enganar. — Aurora soltou uma gargalhada leve. — Deixa para lá, não vamos falar de mim. A Lorena parecia meio fria com você, né? Ela está brava? Será que ela está te culpando por ter vindo viajar comigo?

Isaac deu um sorriso:

— Não tem nada a ver com você. Ela só está com mau humor de sono. A culpa é minha de ter atrapalhado o sono dela.

— É… é mesmo? — Aurora sorriu de leve e baixou a cabeça para beber o café. — Eu achei que fosse por minha causa. Isaac, eu juro que eu não quero que vocês briguem por minha culpa.

— Não vão brigar. — Isaac tomou um gole do próprio café. — A Lorena é bem razoável. Quando ela faz um drama, é sempre por minha causa. Quando eu voltar, eu faço um agrado e pronto.

— É mesmo? Até por aquele dia, quando você mandou o bandido me soltar primeiro, ela já não ficou mais brava? — Aurora voltou a tocar no assunto.

Isaac, por um instante, reviu a cena inteira na cabeça. A mão dele tremeu de leve em volta da xícara de café, mas logo ele se recompôs e respondeu sorrindo:

— Ela ficou bem depois que chegou em casa. Ontem mesmo a gente jantou juntos. Acho que ela transformou a raiva em apetite. Comeu foi três tigelas de comida.

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