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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 332

Aurora não se conformou. As lágrimas ainda nem tinham chegado a cair, mas o veneno, ela ainda queria destilar. Ela fez uma expressão de coitadinha sincera e ofendida:

— Desculpa, Jéssica, eu… eu posso te chamar de cunhada, né? Isso pelo menos está certo…

— Chega. — Jéssica rebateu na hora. Ela virou para Simão e perguntou, muito séria. — O seu pai tem filha fora do casamento?

A cabeça de Simão pareceu explodir:

— Amor, o que é isso que você está falando?

Jéssica soltou um riso frio:

— Então por que a Aurora aparece assim, do nada, me chamando de “cunhada”?

— Aí você está passando dos limites! — Breno finalmente não se segurou. — A gente sempre tratou a Aurora como uma irmã. Ela chama o Simão de irmão, chama você de cunhada, qual é o problema disso…

— Eu cuido do que diz respeito ao meu marido. O que isso tem a ver com você? — Jéssica nem diminuiu o tom. — Se ela quiser te chamar de “irmãozinho” é com vocês. Agora, chamar o meu marido de irmão, não. O meu marido não tem irmã. E você não manda em nada aqui.

Breno ficou tão irritado que perdeu a fala por um instante, apenas lançou um olhar furioso para Simão. Ele já estava desesperado havia um bom tempo. Ele se apressou em chegar mais perto da esposa, quase suplicando:

— Amor, por favor… você mesma acabou de dizer que hoje é um evento importante. Se tiver barraco, vai ficar feio, vai ser vergonhoso para todo mundo.

Faltou muito pouco para Jéssica puxar a orelha dele ali mesmo. Só porque era um ambiente público, ela se segurou. Ainda assim, ela rangeu os dentes quando respondeu:

— Vergonhoso? Eu sou a sua esposa de verdade. Teresa é a esposa de verdade do Breno. Lorena é a esposa de verdade do Isaac. Nós três estamos aqui de forma correta, de cabeça erguida, participando do evento como se deve. Onde está a vergonha nisso? Quem está passando vergonha? Quem é que, de fato, deveria estar constrangido aqui?

— Eu te imploro, Jéssica… — Simão quase abraçou o braço dela na frente de todo mundo, num pedido de trégua.

Jéssica apenas se limitou a soltar um resmungo indignado e, em vez de continuar a discussão, estendeu a mão para Lorena.

Aurora ainda tentou intervir, repetindo a expressão que ela mais sabia usar: olhos vermelhos, voz trêmula, ar frágil, prestes a chorar:

— Jéssica, Teresa, eu juro que não tive má intenção. Eu sou amiga de verdade do Breno e do Simão, eu sempre penso no melhor para eles. Hoje o evento é muito importante, e eu só pensei que… a Lorena, afinal, nunca participa de eventos sociais. E também…

Lorena respondeu sorrindo:

— Ele é o meu primo, Ethan.

Jéssica fez que sim com a cabeça. Ficava claro que o nome de Ethan não constava em nenhuma “lista oficial” de gente importante. Ninguém ali sabia quem ele era. Ainda assim, ela foi educada:

— Prazer em conhecer, Ethan.

— O prazer é meu. — Ethan respondeu com o mesmo sorriso tranquilo.

O grupo inteiro começou a avançar em direção ao centro do salão.

Como Ethan e Lorena tinham escolhido, desde o começo, um canto mais reservado para ficar, a confusão de antes não chegou a se espalhar. A maior parte dos convidados nem tinha percebido o que tinha acontecido. Só a mesa de garotas sentada ao lado de Lorena é que tinha ouvido alguma coisa.

Mesmo assim, elas não estavam nem um pouco interessadas na briga. O que chamou a atenção delas foi outra coisa: quando Lorena se levantou, elas finalmente viram o colar que brilhava no pescoço dela.

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