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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 345

Lorena manteve o sorriso calmo.

— Obrigada.

Era a mesma resposta que ela tinha repetido a noite inteira para cada elogio que recebia no evento.

— Lô, vem cá. — Ethan, a apenas dois passos dela, chamou.

Lorena apenas inclinou a cabeça e começou a caminhar na direção dele.

— Lorena! — Isaac segurou o braço dela.

Lorena perdeu de vez a pouca paciência que ainda tinha.

— Sr. Cunha, hoje é a noite em que o meu primo está recebendo os amigos de Huambo. Se o senhor tiver algum assunto de trabalho para tratar, o senhor pode falar com o Ailton em horário comercial.

A postura dela era puramente profissional, fria, distante.

Isaac encarou o rosto dela, com a voz presa na garganta:

— Você… você me chamou de quê? De Sr. Cunha?

— Senão eu deveria te chamar de quê? — Lorena perguntou, impassível.

Não era a primeira vez que ela o chamava de “Sr. Cunha”. E, entre os dois, ainda existia algum outro jeito de se tratarem?

Ela o chamava, no máximo, de Sr. Cunha ou de Isaac.

E ele, por sua vez, sempre se referia a ela de um jeito duro, alternando entre um “Sra. Cunha” e um “Lorena” seco.

Ela ainda se lembrava de quando eles tinham acabado de se casar. Ela sentia inveja dos casais que usavam apelidos carinhosos um com o outro. Na época, ela tinha sido ingênua o bastante para tentar, chamando ele de “amor” pela primeira vez.

O que ela ganhou em troca foi a frieza dele, dizendo que era melhor ela chamá‑lo apenas pelo nome.

Depois daquele dia, ela nunca mais o chamou de outra coisa que não fosse Isaac.

E, agora, ele ainda tinha a ousadia de se incomodar com isso.

Ele continuou segurando o pulso dela com força:

— Lô…

— Espere um pouco. — Lorena cortou, firme. — “Lô” é um apelido que só a minha família usa. Quem é de fora não deve me chamar assim.

O olhar de Isaac ficou tenso, rígido.

— De fora? Eu sou “de fora” para você?

— Chega. — Isaac cortou, na mesma hora.

Breno soltou um suspiro pesado:

— Não tem jeito. A verdade é que agora a gente realmente precisa dela. Talvez o melhor seja pedir para a Teresa ir falar com ela…

Só então Breno se deu conta de que, ali, só restavam os três. Teresa tinha sumido em algum momento, e ninguém tinha percebido quando ela tinha ido embora.

— Aquela desgraçada! — Breno xingou, tomado pela raiva. — É tudo gente ingrata!

Ele pegou o celular e mandou uma mensagem para a esposa:

[Onde você está? A sua mãe, internada no hospital, não precisa mais do meu dinheiro, é isso?]

Teresa não respondeu.

— Isso é o fim do mundo! — Breno quase arremessou o celular no chão de tanta raiva.

— E agora? O que a gente vai fazer? — Aurora começou a chorar. — A culpa é minha, né? Eu não devia ter voltado para procurar vocês. Se eu sumir de novo, vocês conseguem se salvar, não conseguem?

Isaac continuou em silêncio. Ele não respondeu.

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