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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 474

Milena sorriu.

— Uma moça tão jovem vem estudar tão longe, em outro país. Sentir saudade de casa não é a coisa mais natural do mundo?

Depois do jantar na casa da tia, Lorena ficou observando a avó tricotar um suéter de cashmere.

Desde que Rita chegara ali, ela havia se apaixonado por design de joias e por corte e costura. Com Milena a incentivando por perto, o entusiasmo saiu completamente do controle. No outono e no inverno, Rita ainda se encantara por tricotar suéteres de cashmere à mão. Ela já havia feito um para Lorena, um para Milena e um para Ethan. A peça que ela tricotava naquele momento parecia masculina pela cor. Alberto ficou olhando com tanta expectativa que a ansiedade quase podia ser vista em seus olhos.

— Vovó, esse suéter não é para o Bobby, é? — Perguntou Alberto, com uma expressão de dar pena.

Bobby era um cachorrinho criado por Milena.

A pergunta fez Rita cair na risada.

— O que você acha?

Alberto não sabia muito bem o que dizer. Depois de pensar um pouco, ele falou:

— Depois que o Bobby também ganhar um suéter, eu posso ganhar um par de luvas, vovó?

Ele nem ousou pedir um suéter. Um par de luvas já bastava.

Rita riu tanto que mal conseguia fechar a boca.

— Este aqui é para você.

— Obrigado, vovó! — A alegria de Alberto transbordou sem disfarce.

O jovem herdeiro da família Azevedo, acostumado a usar qualquer peça de roupa caríssima sem nem pensar no preço, agora disputava com um cachorrinho a atenção da avó por causa de um suéter de cashmere tricotado à mão.

Lorena o observou com um sorriso, e seu coração se aquietou pouco a pouco.

Como Alberto estava concentrado demais em seu suéter de cashmere, ele ficou o tempo inteiro ao lado de Rita, vendo-a tricotar. Por causa disso, o horário em que ele e Lorena planejavam voltar para casa acabou se atrasando. Já era tarde demais, então os dois pernoitaram na casa de Milena.

A casa de Milena tinha um quarto para Alberto. Na verdade, desde as férias de Natal, os dois às vezes dormiam ali, e aquela casa, sem que ninguém percebesse direito, começou a ganhar coisas dele: roupas, itens de uso pessoal e até alguns livros.

Parecia que, pouco a pouco, ele já havia se tornado parte daquela família.

O quarto de Lorena ficava no segundo andar; o dele, no terceiro.

Na hora de subir para dormir, Alberto ficou enrolando no segundo andar e não queria ir embora. Era igual ao que acontecia quando os dois estavam em suas casas perto da escola. Ele muitas vezes ficava na casa dela e também demorava diante da porta do quarto dela, mas, no fim, ela sempre o empurrava para fora.

Agora ele fazia a mesma coisa de novo.

Lorena sorriu, ficou na ponta dos pés, tocou de leve a bochecha dele com os lábios e depois entrou depressa no quarto, ainda sorrindo.

Alberto ficou parado ali, olhando para as costas dela, e sorriu.

Será que ela mesma já tinha percebido? Quando ela corria, o desequilíbrio que antes a fazia tropeçar quase não aparecia mais. Ela já parecia praticamente igual a qualquer pessoa.

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