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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 493

— Me solta!

Dessa vez, porém, Isaac foi firme. Ele não cedeu nem um centímetro e a segurou pela cintura, mantendo-a junto ao corpo.

— Você pode me deixar em paz? — Lorena se recusava a virar o rosto para ele.

Isaac pareceu entender de repente.

— Você é boba? Para que você precisa manter pose na minha frente? Qual é o problema de ter vomitado? Já se passaram mais de dez anos, Lorena. O que eu ainda não vi de você? Existe alguém neste mundo que conheça você melhor do que eu?

— Isaac! — Lorena teve de admitir que, por mais que ela dissesse que os dois seriam estranhos dali em diante, Isaac sempre tinha o dom de fazê-la perder a cabeça. Ela o encarou com fúria. — A pessoa que mais me conhece neste mundo? Como você tem coragem de dizer uma coisa dessas?

Justamente porque ele a conhecia melhor do que ninguém, Isaac sabia onde estavam as fraquezas dela. Era por isso que ele conseguia feri-la com tanta facilidade. Era por isso que tinha sido capaz de destruí-la por dentro.

O rosto dele endureceu por um instante. Em seguida, Isaac a puxou contra o peito.

— Eu errei. Mas hoje à noite... hoje à noite, confie em mim só uma vez. Eu prometo que não vou machucar você.

— Me solta. Eu ando sozinha.

Lorena também sabia que não podia ficar agarrada à amurada no meio daquele vento e daquele balanço. Depois de soltar uma das mãos, ela empurrou Isaac com força, apoiou-se na parede da cabine e começou a avançar devagar, tropeçando a cada passo, em direção ao outro lado.

Ainda bem que suas pernas já tinham se recuperado em mais de oitenta por cento. Caso contrário, Lorena nem ousava imaginar quantas vezes teria caído naquele percurso se ainda estivesse como antes.

Isaac não a forçou de novo. Ele apenas a observou avançar com dificuldade, cambaleando ao ritmo do navio, até que ela finalmente chegou ao outro lado do convés.

Os tripulantes estavam sentados no convés, reunidos em volta de uma churrasqueira portátil, comendo. O cheiro de bife e linguiça assados se espalhava pelo ar e vinha misturado ao vento do mar. De algum modo, até o odor forte de maresia parecia menos agressivo.

— Lorena, sente aqui. — Isaac disse, encontrando um lugar vago e apontando para o espaço ao lado dele.

Dessa vez, Lorena não discutiu. Afinal, ela não podia simplesmente se sentar no meio dos tripulantes.

— Venha comer um pouco também, moça. Isso ajuda a passar o susto. — Um dos tripulantes a convidou, entregando-lhe um conjunto de talheres descartáveis.

— Obrigada.

Com mais gente por perto, o medo que Lorena sentia do mar profundo diminuiu um pouco. Mesmo assim, ela ainda estava com frio. Principalmente porque, quando estava perto da amurada, uma onda grande molhara parte de sua roupa.

Os tripulantes começaram a comentar o fato de Lorena ter sido sequestrada e levada para dentro do navio. Para eles, aquilo parecia inacreditável.

— Como uma coisa dessas acontece? É a primeira vez que nós vemos algo assim!

Na verdade, até aquele momento, Lorena ainda não sabia quem eram aquelas pessoas nem por que a tinham sequestrado.

Também havia um policial no navio, mas, antes do encerramento do caso, ele não sairia por aí contando o que sabia.

Ela olhou para Isaac. Pela expressão dele, ele também parecia não saber. Isaac lhe entregou um copo de água quente.

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