Então, ela pediu para Patrício Freitas parar e, após esterilizar as agulhas, começou a aplicá-las.
Patrício Freitas perguntou, preocupado: — Você consegue com um olho só?
Maria Gomes respondeu calmamente: — Eu sei aplicar as agulhas às cegas. Um olho não vai me atrapalhar.
— Certo. Me chame se precisar de algo. — Patrício Freitas foi ajudar a fazer curativos em outros passageiros.
A condição do paciente era crítica, e Maria Gomes aplicou as agulhas com firmeza.
Em pouco tempo, o paciente recuperou a consciência. Sua família, chorando de alegria, não parava de agradecer.
Maria Gomes continuou com o tratamento para garantir que o passageiro aguentasse até o pouso.
Assim que terminou, ouviu uma comissária chamar: — Dra. Gomes, o ferimento deste paciente é muito grande, não conseguimos estancar o sangue.
Estancar o sangue era fácil para Maria Gomes. Algumas agulhas e a hemorragia parou.
Outra comissária chamou: — Dra. Gomes, tem um paciente aqui que não consegue respirar.
Maria Gomes se aproximou, tomando o pulso do idoso enquanto observava seu estado.
Então, ela deu algumas batidinhas nas costas dele. Uma secreção espessa foi expelida, e o idoso imediatamente respirou fundo.
Da primeira classe, veio o grito ansioso de uma comissária: — Dra. Gomes, venha rápido! Esta criança está ficando azul, está revirando os olhos!
A voz da comissária tornou-se estridente.
Ao ouvir, Maria Gomes correu, mas acabou pisando em uma maçã que rolara pelo chão.
A maçã deslizou, e ela perdeu o equilíbrio, caindo para a frente.
Um grito de espanto soou ao redor.
Patrício Freitas, que estava por perto ajudando a fazer um curativo, estendeu a mão a tempo e segurou a roupa dela.
— Seu olho esquerdo não enxerga, tome mais cuidado.
— Obrigada.
Maria Gomes se aproximou da criança, esterilizou as agulhas de prata e aplicou mais de dez delas para estabilizar a condição da pequena.
Uma hora depois, o avião finalmente pousou em segurança.
O aeroporto já havia preparado uma equipe de emergência.
Assim que o avião tocou o solo, a equipe de terra e os paramédicos correram em direção à aeronave.
Os feridos foram os primeiros a desembarcar.
Depois que os pacientes em estado crítico desceram, os passageiros restantes insistiram que Maria Gomes fosse a próxima.
— Dra. Gomes, você trabalhou duro. Desça primeiro. O caco de vidro no seu olho precisa ser removido o mais rápido possível.
— É verdade. E se causar um dano permanente? Seus olhos são tão bonitos.
— Dra. Gomes, vá logo. Podemos esperar um pouco mais, não vamos morrer por isso.
Maria Gomes juntou as mãos em um gesto de gratidão, curvando-se para a multidão em agradecimento.
Desta vez, quando Patrício Freitas perguntou a Maria Gomes se ela precisava de ajuda com a mala, ela não recusou.
Com um dos olhos fechado, Maria Gomes não enxergava bem. Patrício Freitas, preocupado que ela pudesse tropeçar, a seguiu de perto, empurrando a mala com uma mão e segurando a roupa dela com a outra.
Quanto à sua própria mala, o assistente Rui cuidaria dela.
Maria Gomes virou a cabeça para ele. — Por que está segurando minha roupa?
— Cuidado onde pisa. — Patrício Freitas a advertiu. — É melhor prevenir do que remediar uma queda.
— Você não precisa mais me seguir. Com certeza há paramédicos lá fora.
— Com tantas pessoas para atender, como haverá paramédicos de sobra para cuidar de você? Vamos logo. — Patrício Freitas apressou-a. — Não enrole, está atrasando os outros passageiros.
— Com licença.
— Saiam da frente.
Patrício Freitas era o homem mais rico da Cidade R. Assim que apareceu, os repórteres que farejaram a notícia correram em sua direção, disputando a manchete.
— Ai! — Luana Barbosa gritou, atingida no ombro pela multidão.
Em seguida, outro repórter a atingiu no braço e na testa, fazendo lágrimas de dor brotarem em seus olhos.
Quando ela levantou o olhar novamente, Patrício Freitas e Maria Gomes estavam no centro de um círculo de pessoas, cercados por todos os lados.
A pessoa ao lado de Patrício Freitas deveria ser ela, Luana Barbosa!
Ela deveria ser o centro das atenções, o foco de todos os olhares!
Quem Maria Gomes pensava que era?
O ciúme e a inveja consumiram Luana Barbosa.
— Por favor, com licença. — Luana Barbosa tentou manter a compostura, pedindo passagem.
Mas ninguém lhe deu atenção. Todos estavam ocupados demais tentando conseguir a manchete. Quem tinha tempo para ela?
Mesmo os que notaram, a consideraram apenas mais uma repórter.
— O que você está pensando? Dar passagem? Notícia se consegue na raça. Da próxima vez, corra mais rápido.
Luana Barbosa apontou para si mesma. — Você não me conhece?
O cinegrafista a olhou de cima a baixo. — Você é bonita, sim. Alguma subcelebridade qualquer?
Luana Barbosa o xingou mentalmente. Incompetente, você é que é uma subcelebridade.
Um bando de puxa-sacos cegos.

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