Aurora comprou tudo o que precisava e voltou direto para o apartamento.
Ela disse para Dona Luciana, que estava limpando a casa:
"Dona Luciana, faça mais dois pratos para o jantar hoje."
Depois de uma breve pausa, acrescentou:
"Prepare uma carne de panela bem suculenta e costelinhas ao molho agridoce."
Eram os pratos preferidos de Davi.
Aurora então abriu a janela de conversa com ele.
"Mandei a Dona Luciana preparar o que você gosta. Vai jantar em casa hoje?"
A mensagem foi enviada com sucesso, mas continuou sem resposta, como se tivesse desaparecido no vazio.
Aurora apertou os lábios, virou-se e voltou para o quarto.
Ela abriu a gaveta da penteadeira e encontrou a pulseira de cristal.
O frio das pedrinhas envolveu seu pulso, e aquela sensação delicada fez com que, sem saber por quê, ela se lembrasse do calor da mão de Davi segurando a sua.
Ela levantou o pulso até a luz do abajur, ajustou o ângulo várias vezes e — click — tirou uma foto.
Na foto, a pele macia e os cristais brilhantes se refletiam mutuamente, criando uma beleza que cortava a respiração.
Ela enviou a foto para ele.
"Coloquei a pulseira."
Do outro lado, o silêncio seguia imutável.
Aurora, irritada, passou a mão pelos cabelos e, sem paciência, tirou um print da conversa sem respostas e mandou para Susana.
"Ele ainda está bravo, como eu faço pra acalmar? Tô esperando resposta urgente!"
Susana respondeu instantaneamente com um emoji revirando os olhos.
"Amiga, adianta mandar só pra ele?!"
"Posta no feed! Mostra pra todo mundo!"
Susana enviou uma sequência de áudios, o tom impaciente:
"Onde foi parar aquele seu entusiasmo de exibir o Nelson? Desde que terminaram, seu feed tá às moscas!"
"Você tem que deixar todo mundo ver, especialmente aquele cretino do Nelson, que você, Aurora, já superou! Que agora você está ótima, e seu marido é ainda melhor!"
Aurora ficou um instante atordoada.
Com um leve toque, abriu seu feed.
A última postagem era de 18 de maio à noite.
Na foto, ela sorria docemente, de braço dado com Nelson, e do outro lado estava Íris, com aquele sorriso encantador.
Depois, o cotidiano foi se impondo e ela foi se afastando das redes sociais.
Ao renascer, acabou esquecendo desse detalhe por hábito.
"Nojento."
Aurora olhou para aquela versão apaixonada de si mesma na tela, xingou baixinho e não conseguiu continuar.
Entrou no escritório e ligou o computador.
Com alguns toques no teclado, escreveu rapidamente um pequeno programa e o executou.
A barra de progresso avançava depressa.
[10%... 50%... 100%]
[Todas as postagens foram apagadas]
O aviso soou menos de três minutos depois de ela ligar o computador.
Aurora recostou-se na cadeira e soltou um suspiro leve.
Levou sete anos para postar tudo aquilo, dos quinze aos vinte e um.
Para apagar, bastou um programa, três minutos.
A primeira metade insensata da sua vida, finalmente, fora apagada.

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