Aurora não sabia para onde olhar. "Pode… pode me dar que eu resolvo", disse ela.
Ela pegou as roupas e saiu quase correndo, chamando uma das empregadas para levá-las para lavar.
No entanto, ao entregar as peças, uma cueca boxer preta caiu das roupas, parando bem aos seus pés.
Instintivamente, ela se abaixou para pegar, e só quando seus dedos tocaram o tecido macio, percebeu o que era aquilo.
Seu rosto ficou imediatamente em brasa; quase com nojo, segurou a peça entre dois dedos e jogou para a empregada. "Leve isso agora!"
A empregada segurou o riso, pegou as roupas e foi embora.
Aurora ficou andando de um lado para o outro na porta do próprio quarto. Só de pensar na imagem tentadora dele, sentia-se sem coragem de entrar.
Pediu para a empregada buscar um pijama masculino grande, mas a resposta veio rápido: não havia nenhum na casa.
Quando decidiu apagar todos os rastros de Nelson, ela não deixou sequer uma peça masculina para trás.
Aurora hesitou um bom tempo na porta, mas por fim mordeu os lábios, tomou coragem e entrou.
Encontrou Davi sentado, totalmente à vontade, na sua cadeira gamer cor-de-rosa. As pernas longas cruzadas, postura relaxada.
Ele folheava um dos cadernos dela. Ao ouvir o barulho, nem levantou os olhos e perguntou com a voz grave: "Voltou. Cadê meu pijama?"
O olhar de Aurora caiu sobre a toalha que mal cobria a cintura dele. Imediatamente, a imagem dele sem nada passou por sua cabeça, e seu rosto ficou ainda mais quente.
Ela foi apressada até o guarda-roupa e pegou o maior roupão cor-de-rosa que tinha, empurrando-o para o colo dele.
"Tenta esse aqui."
Desviou o rosto, sem coragem de olhar para ele, com medo de se perder ainda mais em pensamentos.
O homem ergueu a sobrancelha, mas não disse nada, largou o caderno e entrou no banheiro com o roupão.
Mesmo a alguns metros de distância, Aurora sentiu o desagrado que emanava do homem.
Ela só pôde dizer: "Pode ignorar o que minha mãe disse, não precisa levar ao pé da letra. Eu sei cuidar de mim mesma."
No escuro, ouviu um leve riso irônico dele.
De repente, Aurora se lembrou que foi ele quem esteve ao seu lado nas duas vezes em que ficou internada. Mordeu os lábios e acrescentou: "Enfim, não sou uma flor de estufa. Talvez já tenha sido, mas não sou mais."
Se fosse seu antigo eu, teria desmoronado quando Nelson terminou tudo de repente, ficaria arrasada e sem forças para se reerguer.
Mas depois de sete anos de sofrimento físico, de tantas vezes nutrir esperança apenas para ser jogada de volta no abismo, seu coração já estava coberto de uma casca dura.
Hoje, nem um fim de noivado, nem mesmo o céu desabando fariam com que ela não se sustentasse sozinha.
A voz dele veio fria e cortante: "Se não é mais uma flor de estufa, por que fugiu de manhã?"

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