Davi franziu ainda mais o cenho, recuando instintivamente um grande passo para trás.
Íris lançou-se em sua direção, mas errou o alvo e quase caiu. Desesperada, apoiou-se no aparador para conseguir se manter de pé.
Por um instante, seu rosto revelou constrangimento, mas logo ela trocou a expressão por uma falsa fragilidade e se dirigiu a Davi:
"Senhor, Aurora só fala palavrão e ainda parte pra agressão. Fiquei tão nervosa com ela que até minha glicose baixou... Mas, de qualquer forma, obrigada por ter me amparado agora há pouco."
O semblante de Davi era frio e carregado de desprezo; ignorou completamente o fingimento de Íris e, sem dizer nada, virou-se para sair.
O rosto de Íris ficou rígido por um momento, mas ela rapidamente agarrou o antebraço de Davi.
"Quanto Aurora te paga por mês? Eu te dou o dobro, venha comigo, que tal?"
Davi sacudiu o braço com força, como se tivesse tocado em algo repulsivo, livrando-se abruptamente da mão dela.
O gesto foi tão brusco que Íris perdeu totalmente o equilíbrio e caiu desajeitadamente no chão de madeira.
O homem lançou-lhe um olhar de repulsa, sua voz cortante como gelo: "Da próxima vez, pare de mentir descaradamente. Uma mulher como você, só alguém cego como o Nelson pode achar interessante!"
Sem olhar para trás, ele seguiu em direção ao quarto de hóspedes.
Íris, ainda estendida no chão, observou com rancor as costas largas e imponentes de Davi sumirem pela porta.
Aquele homem era belo demais, com proporções perfeitas; e, naquela área... devia ser ainda mais potente.
Lambeu os lábios, sentindo-se tomada por um calor inquietante.
Nelson dizia que a amava, mas na hora H se comportava como um padre, sempre falando em respeito, dizendo que só tocaria nela depois do casamento.
Respeito?
Ela era uma mulher madura, tinha necessidades! Não queria esperar!
Sentia uma inveja imensa de Aurora: foi deixada por Nelson, mas conseguiu logo um homem tão másculo, transbordando testosterona. Com certeza estava se divertindo horrores. Por que ela não tinha a mesma sorte?
Mas não importava.
Ela tinha seus próprios métodos para fazer até mesmo um durão daqueles se render aos seus encantos!
Enquanto isso, Aurora, no quarto de hóspedes, encontrou as roupas limpas jogadas de qualquer jeito no armário.
Preparava-se para sair da mansão, mas de repente se lembrou de algo e voltou apressada para seu antigo quarto.
Assim que abriu a porta, confirmou o que suspeitava: o ambiente havia sido completamente transformado.
Agora era o quarto de Íris.
"É, pode ser... Mas, se eu tivesse uma esposa tão delicada, não aguentaria vê-la sofrendo assim. Já teria dado um jeito naqueles idiotas há muito tempo. Você é mesmo paciente."
Davi rebateu de repente: "E por que você nunca contou para a Susana que foi você quem resolveu com aqueles que a maltratavam no vilarejo?"
Fagner engasgou do outro lado.
"Olha, isso fica só entre nós. Minha prima detesta que eu mencione o vilarejo, parece até que quer apagar aquela parte da vida. Não vou me meter a besta."
Reclamou mais um pouco: "Aliás, será que você podia pedir pra sua tia parar de arranjar encontros pra Susana? Agora ela tá cada vez mais exigente, me olha até de nariz empinado."
"Não tenho tempo."
Davi desligou na hora.
"Que insensível." Fagner resmungou, guardando o celular. Voltou-se para o assistente: "Reúna todos os documentos sobre a ocupação ilegal da Mansão Franco e prepare as intimações."
No corredor do hospital.
A porta da UTI se abriu, Aurora saiu.
Davi hesitou por um momento, mas acabou perguntando: "Você... precisa de ajuda?"

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