Aurora voltou mais uma vez ao escritório onde trabalhara.
Havia coisas importantes que precisava recuperar.
Ela empurrou a porta e, ao ver o que havia dentro, franziu imediatamente a testa.
Quase tudo que lhe pertencia já tinha sido retirado.
Até mesmo a mesa e a cadeira de trabalho tinham sido trocadas por outras de uma marca diferente.
As plantas que ela cuidara com tanto carinho por anos — algumas samambaias, suculentas e um pequeno vaso de jasmim — também tinham desaparecido.
No lugar delas, encontravam-se uma cafeteira, um tapete de yoga e uma esteira.
O ar estava impregnado de um aroma adocicado de difusor, completamente diferente do perfume amadeirado e suave ao qual ela estava acostumada.
Parecia que haviam feito questão de apagar qualquer vestígio de sua presença.
Aurora reprimiu o desconforto que sentiu, o olhar tornando-se sombrio.
Preparava-se para perguntar a alguém onde tinham colocado suas coisas.
Mal se virou, viu Íris se aproximando, de braço dado com Nelson, em uma atitude de intimidade.
Ao avistá-la, os dois apressaram um pouco os passos.
"Aurora, que bom que você ainda está aqui! Que tal almoçarmos juntos? Eu pago, pode ser um agradecimento por você ter me ajudado antes."
"Não precisa." A voz de Aurora soou fria. "E as minhas coisas? Para onde foram levadas?"
Íris lançou um olhar ao interior da sala, parecendo confusa: "Também não sei direito... Que tal fazermos assim? Vamos almoçar primeiro, depois eu te ajudo a procurar?"
Aurora a encarou: "Eu perguntei: onde estão as minhas coisas? Você não entende o que eu falo?"
"Aurora!" Nelson colocou-se à frente de Íris, o rosto carregado de uma raiva contida. "Mesmo que você tenha sido demitida, não precisa descontar na Íris! Você mesma passou os últimos seis meses totalmente desinteressada pelo trabalho, seu desempenho foi terrível, era questão de tempo até ser dispensada! Agora ainda tem coragem de vir aqui cobrar alguém?"
Aurora olhou para Nelson, incrédula.
Durante esses seis meses, por quem ela se dedicara tanto, a ponto de esgotar todas as suas forças e energia?
E agora, ele tinha a ousadia de dizer que ela não se importava com o trabalho?
No mundo, qualquer um poderia dizer aquilo dela, menos Nelson!
Naquela época, ela acreditava ser especial para ele.
Nelson, sempre tão reservado, nunca mostrava esse lado amável para outra mulher.
Mas, no fim, não era que ele não pudesse.
Apenas não era Aurora a pessoa que despertava toda a ternura dele.
Afinal, Íris era quem ele realmente queria proteger; e Aurora, o que era?
Apenas uma substituta, escolhida por engano, enquanto ele ainda não conhecia seus próprios sentimentos — nada além disso.
Ao compreender isso, uma estranha leveza tomou o lugar da dor no coração de Aurora.
"Diretor Morais, é melhor continuar acompanhando a Diretora Zanetti. Afinal, ela acabou de chegar e pode se sentir insegura sozinha," disse ela, irônica. "Quanto a mim, não vou incomodar mais o Diretor Morais."
Dito isso, Aurora nem se deu ao trabalho de olhar para eles novamente. Virou-se e caminhou direto em direção ao elevador.
Nelson observou suas costas se afastando, a testa profundamente franzida.

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