Aurora desligou o telefone.
Sentindo-se como se toda a energia tivesse sido drenada de seu corpo, ela tropeçou até o banheiro e trancou a porta por dentro.
As emoções reprimidas por tanto tempo finalmente transbordaram naquele momento. Ela se apoiou na pia, chorando tanto que seu corpo inteiro tremia, até acabar se debruçando sobre a cuba, tendo ânsias secas.
Davi ouviu o barulho e rapidamente tentou girar a maçaneta da porta.
"Aurora, o que houve? Abre a porta, por favor!"
Do lado de dentro, Aurora tentou se recompor daquela onda de náusea, jogando água fria no rosto de qualquer jeito.
A mulher no espelho tinha os olhos inchados e vermelhos, mas nas profundezas daquele olhar ardia uma chama assustadora.
Ela abriu a porta, a voz rouca e gelada.
"Eu vou fazer com que Gustavo e Carolina paguem por tudo o que fizeram!"
Davi viu o ódio nos olhos dela e, com um movimento rápido, a puxou para um abraço apertado.
Ele não disse nada, apenas afagou suavemente a nuca dela com a mão grande e quente, num gesto calmo e reconfortante.
Depois de um longo tempo, ele finalmente murmurou ao ouvido dela, com a voz baixa e grave: "Não se preocupe, estou com você."
"O que você quiser fazer, eu vou estar ao seu lado."
"O que eles devem, vamos cobrar centavo por centavo."
Felipe veio correndo, os passos apressados ecoando, e levantou o rostinho, dizendo com seriedade:
"Tio Davi, não é assim que se consola uma moça."
"Você tem que dar um beijinho nela, só assim ela vai ficar feliz de novo!"
A voz cristalina dele quebrou o clima pesado num instante.
Aurora não conseguiu conter um sorriso diante da postura adulta do menino, mesmo com as lágrimas ainda nos cílios, o canto da boca se curvou involuntariamente.
Ela se afastou do abraço de Davi, agachou-se e perguntou: "Quem te ensinou isso, hein?"
Felipe respondeu com convicção: "Eu vejo isso sempre na televisão!"
Davi então puxou Aurora para perto, segurou delicadamente a nuca dela e pousou um beijo suave em seus lábios, num gesto de consolo.
Logo se afastou, e então, com um movimento ágil, levantou-a nos braços e caminhou decidido para o quarto.
Ele disse ao Felipe, que os observava com olhos curiosos: "Se ficar com sono, pode dormir no sofá. Vou cuidar da sua tia."
Felipe assentiu obediente e acenou para os dois enquanto eles se afastavam.
"Tia, fica feliz de novo, tá bom?"
A porta se fechou com um clique, trancada por dentro.
Assim que entraram no quarto, Davi a beijou de novo.

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