Davi não fazia ideia de que Aurora o tinha chamado e ainda trouxera outra mulher consigo.
Seu rosto imediatamente ficou sombrio.
A temperatura no camarote pareceu despencar de repente até o ponto de congelamento.
Era uma frieza extrema, carregada de uma sensação opressiva.
Quando Aurora reconheceu quem tinha chegado, seu coração vacilou, sem que pudesse controlar.
Era tão parecido.
Ela teve a estranha sensação de que, mal tinha se separado do marido, já o estava vendo de novo.
Mas quando os olhos por trás das lentes de Sr. Luan se tornaram sombrios, aquela familiaridade foi imediatamente substituída por uma dureza estranha e cortante.
Nunca tinha visto em Davi uma aura tão assustadora, sombria e fria, como se fosse capaz de arrastar uma pessoa para um abismo sem fim.
O coração de Aurora saltou para a garganta.
Francisca também se assustou.
Mas ela sabia muito bem para quem era dirigida aquela raiva do Sr. Luan.
A insatisfação e o ciúme queimaram ainda mais forte dentro dela; sua mão sobre o colo apertou-se até os nós dos dedos ficarem brancos.
"Desculpe-me, Sr. Martins."
Aurora foi a primeira a reagir, levantando-se rapidamente para explicar.
"Hoje, por acaso, encontrei a Srta. Werneck aqui. Somos amigas, acabamos conversando um pouco mais."
Francisca também se levantou na hora, o rosto marcado pela mágoa, o olhar dolorosamente fixo nele.
"Luan, você realmente não quer me ver?"
A testa de Davi se franziu, e os olhos por trás dos óculos de aro dourado tornaram-se assustadoramente escuros.
Ele falou, com uma voz que não pertencia a Davi, fria e cruel, soltando apenas uma palavra:
"Quero."
Os olhos de Francisca se avermelharam instantaneamente.
Ela insistiu, inconformada: "Por quê? Por que você consegue conversar com Aurora numa boa, mas comigo, não?"
"Nós dois já nos amamos tanto!"
A impaciência no semblante de Davi só aumentava.
"Luan, você pode esquecer o que sentia por mim, pode esquecer as promessas que fez, mas não acredito que consiga esquecer isto!"
Disse, enquanto tirava do pescoço o colar luxuoso de pedras preciosas.
O pingente cravejado de pedras deslizou para o lado, revelando uma fotografia do tamanho de um polegar.
Na foto, estavam Francisca e Luan, anos atrás.
Os rostos colados, ambos sorrindo felizes, radiantes.
As pupilas de Davi se contraíram bruscamente.
Quase por instinto, ele estendeu a mão e agarrou o colar.
Baixou os olhos para aquela pequena foto, o olhar se tornou complexo: nostálgico, e ao mesmo tempo, cheio de dor reprimida.
Vendo a expressão saudosa dele, Francisca soltou um longo suspiro, aliviada.
Luan não havia esquecido aquela foto, muito menos esquecido dela.
Ele só precisava… de sua ajuda, para recordar tudo, pouco a pouco.

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