Ultimamente, ele vinha até ali todos os dias, mesmo que fosse apenas para ficar em silêncio por um tempo, ansiando por um momento de lucidez de sua avó, em que ela o chamasse de "Davi" mais uma vez.
Mas isso nunca aconteceu.
Com o agravamento da doença, ela se esqueceu de todos, exceto da esposa de seu neto, a quem tanto estimava.
O médico disse que essa era a última obsessão da avó, o último fio que sustentava sua sanidade.
Se ela se esquecesse disso também, temia-se que... não haveria mais volta.
O peito de Davi doía com uma pontada aguda.
O celular em seu bolso vibrou de repente. Na tela, duas palavras apareceram:
Esposa.
Ele respirou fundo o ar gelado, impregnado de neve, e atendeu a chamada.
"Amor, por que ainda não voltou?"
Do outro lado, a voz de Aurora soou sonolenta e suave.
Davi abriu a boca, mas sua garganta parecia entupida com algodão, e por um momento, não conseguiu dizer uma palavra.
"Amor? Está me ouvindo? O que aconteceu?" Aurora percebeu que algo estava errado e perguntou, nervosa.
Depois de um longo tempo, ele finalmente recuperou a voz, esforçando-se para que soasse calma.
"O sinal estava ruim."
"Hoje... talvez eu chegue um pouco mais tarde. Pode ir dormir."
Mas Aurora, perspicaz, notou o cansaço e a rouquidão incomuns em sua voz.
"O que foi? O dia foi muito cansativo?"
"Sim", ele respondeu em voz baixa.
"Então, quando vocês entram de férias? Você precisa descansar um pouco."
"Provavelmente só na véspera de Ano Novo", disse Davi. "Fim de ano é sempre corrido no quartel."
Aurora sentiu uma pontada de preocupação. "Mesmo assim, tire um tempo para descansar. Não vá ficar doente."
Ela fez uma pausa e acrescentou: "A propósito, amanhã quero ir ver a vovó. Pensei em chamar você para ir junto. Mas se estiver muito ocupado, eu vou com a minha mãe."
"Tudo bem. Tomem cuidado."
Aurora disse novamente: "Se você ainda estiver no quartel, por que não dorme por aí hoje? Evita a viagem de ida e volta."
Davi ergueu a cabeça e sorriu. "Se eu não voltasse, quem aplicaria o óleo em você?"
"Sua barriga vai ficar cada vez maior, e este ritual não pode ser pulado nem um dia."
Aurora, entre a resignação e a preocupação, disse: "Eu mesma posso aplicar."
"Então, para que você precisa de um marido como eu?", ele retrucou.
Aurora ficou sem resposta, mas seu coração se encheu de uma doçura quente e reconfortante.
Ela olhou para o relógio. Já era quase uma da manhã.
"Então termine logo, lave as mãos e vá dormir."
Davi não parou o que estava fazendo, mas mudou de assunto abruptamente.
"Vá dormir primeiro."
"No caminho para casa, recebi uma informação. Carolina está planejando enviar Íris para o exterior. Um avião particular às quatro da manhã. Tenho que levar uma equipe para interceptá-la."
O coração de Aurora deu um salto. Ela se sentou na cama, chocada.
"O quê?! A Íris vai fugir!"

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