"Dona Luciana..."
Aurora, no entanto, afastou a mão de Dona Elsa e correu cambaleante em direção à maca ensanguentada.
"Como está a Dona Luciana? Doutor! Doutor?"
Regina correu até ela, agarrou seu braço, a voz trêmula de medo. "Aurora, você está bem? Se machucou em algum lugar?"
Aurora balançou a cabeça, o rosto já coberto de lágrimas.
Felizmente, ela estava bem agasalhada e caiu nos arbustos.
"Eu estou bem", ela agarrou a mão da mãe, a voz embargada de raiva e dor. "Mãe, foi a Íris, ela atropelou a Dona Luciana para me atingir!"
"Eu sei, eu sei. Aurora, acalme-se primeiro. Vamos segui-los, Dona Luciana ficará bem." Os olhos de Regina também estavam vermelhos, e ela segurou a mão da filha com força, acompanhando a maca.
A luz vermelha da sala de cirurgia se acendeu.
Aurora se encostou na parede. Só então sentiu o objeto que segurava com força na mão.
Era seu celular.
Ela levantou a mão trêmula; a tela mostrava que a chamada ainda estava em andamento — 6 minutos e 13 segundos.
Aurora rapidamente levou o celular ao ouvido.
"Dona Luciana foi atropelada."
Sua voz tremia muito, carregada de um tom anasalado e uma dor incontrolável.
"Foi para me salvar... para me salvar que ela foi atropelada..."
Do outro lado da linha, a voz de Davi era grave.
"Estou chegando."
Pouco depois de desligar, o elevador se abriu e uma figura envolta pelo vento frio saiu apressada.
Os olhos avermelhados de Aurora, ao vê-lo, encheram-se de lágrimas novamente.
Davi caminhou até ela em poucos passos e a abraçou com força, o coração também cheio de medo retrospectivo.
Ele abaixou a cabeça, a voz rouca.
"Desculpe."
"Foi negligência nossa, não conseguimos rastrear o paradeiro da Íris a tempo."
Aurora balançou a cabeça com força em seu abraço. Após a imensa dor e o medo passarem, a razão retornou rapidamente.
Ela levantou a cabeça, limpou as lágrimas com as costas da mão, a voz ainda anasalada, mas o olhar já havia recuperado a clareza.
"Como a Íris sabia onde estávamos?"
"Do Vila Lua Mar até o lar de idosos, usamos apenas vias internas, não nos expusemos em nenhum momento."
Na sala de interrogatório, Davi colocou um tablet na mesa à sua frente, a voz fria:
"Você deixou a Íris sair de propósito pela porta dos fundos da Mansão Morais para que ela, em seu desespero, caísse direto na sua armadilha."
"Mas você parou para pensar que uma mulher que conseguiu sair de Cidade dos Lobisomens teria medo da sua armadilha?"
"Ela não apenas lidou com a situação, como também conseguiu entrar em contato com a Carolina!"
O olhar de Davi era afiado como uma faca, fixo nele.
"Por pouco, por muito pouco, quase custou a vida de Aurora!"
"Nelson, estou te avisando, não aja mais por conta própria, achando que sabe de tudo!"
Nelson olhou incrédulo para as imagens no tablet.
Era a gravação do estacionamento do hospital.
Na tela, o carro preto avançava loucamente em direção a Aurora.
Por tão pouco...
Se não fosse por Dona Luciana ter visto o carro primeiro e a empurrado com todas as suas forças...
As consequências seriam inimagináveis.
E mesmo assim, Dona Luciana...

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