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Companheira reivindicada de Alpha romance Capítulo 96

NATÁLIA

Ricardo me levou até a enfermaria, que estava cheia de membros feridos da alcateia e rogues. O fedor putrefato de carne queimada pairava no ar como um fantasma assombrando minha própria existência.

Meus dedos se apertaram em torno da mão de Ricardo enquanto a dor e a culpa ameaçavam me consumir por completo.

Cada passo que me levava perto de Ana enviava minha mente para um transe de entorpecimento. Eu não conseguia sentir meu corpo, minha loba, meu coração. Eu me sentia fria e a única coisa que me mantinha aquecida era a mão de Ricardo entrelaçada com a minha, me assegurando que tudo ficaria bem.

— Aqui. Ela está dentro. — Ele parou do lado de fora de uma sala e me puxou para a frente.

A porta estava aberta, permitindo que eu espiásse para dentro. Meus olhos pousaram primeiro nas costas de um homem desconhecido. Ele estava ao lado da cama, olhando para Ana.

Meu olhar viajou para o rosto de Ana e minha respiração ficou presa na garganta. Meus pulmões doíam, meu rosto aquecia.

Havia ataduras manchadas cobrindo suas bochechas, pressionadas sobre as feridas para estancar o sangramento. Eu não conseguia ver seu rosto, exceto pelos seus olhos vidrados e seus lábios trêmulos.

Ataduras semelhantes estavam aplicadas em seus braços, pescoço, pernas e torso. Ela estava completamente enfaixada.

Não sabia quando minha visão ficou turva, e arranquei minha mão da mão quente de Ricardo. Meus pés me levaram para dentro da sala, até Ana.

O homem se virou e saiu, permitindo que eu ficasse sozinha com ela.

Os olhos expostos dela se abriram, focando em mim. O resto da minha determinação morreu uma morte lamentável. Eu me deixei cair na cadeira colocada perto da cama dela.

— Na… Natália... — Gemeu, sua voz pesada de dor.

Cerrando minhas mãos em punhos, eu balancei a cabeça e baixei o olhar para o chão.

— Sinto muito. Eu sinto muito. — Lágrimas escorriam por minhas bochechas, desaparecendo no decote da camiseta que eu estava usando.

— Eu não sabia que isso ia acontecer. Eu nunca quis te machucar. — Minha voz se afundou atrás dos soluços agonizantes.

Era difícil olhar para ela. Era impossível para mim não sentir que estou morrendo.

— Não é... Não é sua culpa. — Ela tossiu antes de gemer de dor e ficar em silêncio.

Meus ouvidos escutavam desesperadamente seu coração batendo rápido, temendo a reviravolta infeliz na minha vida. Eu não posso perdê-la, nem a Diana, nem o Ricardo. Eu não posso perder as pessoas que amo.

— Segure minha mão. — A voz dela caiu sobre meus ouvidos.

Eu balancei a cabeça em recusa. Eu não posso me permitir machucá-la novamente.

— Eu vou morrer.

Um suspiro saiu da minha boca e minha mão instantaneamente se estendeu para a dela, enfaixada.

— Não. Você não vai morrer. O Ricardo disse... Ele disse que você vai ficar bem. — Eu soltei ansiosamente.

— E-Ele mentiu. — Ana suspirou, apertando os olhos.

Os sons constantes de agonia que saíam de sua boca enviavam arrepios pela minha espinha. O medo só crescia, me deixando desesperada.

Eu observei seu rosto, suas mãos, seu pescoço, seus pés. Tudo isso foi feito por mim. Se ao menos eu tivesse permanecido dentro de casa e nunca tentado ser algo que não sou, ela estaria bem.

Era tudo minha culpa.

— Não é sua culpa. — A voz fraca murmurou em minha cabeça.

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