Com certeza, o chefe não estava possuído. Só podia ser um grande mal-entendido.
Enquanto tentava entender o que estava acontecendo, Zion não conseguiu parar o carro a tempo. O veículo passou direto pela mulher e pelo cachorro, levantando uma rajada de vento frio e um redemoinho de folhas secas.
Anneliese se encolheu com o susto, recuando para o canto da calçada e puxando Bisteca para perto.
“Pare o carro.”
O ar dentro do Bentley ficou pesado, gelado. Um arrepio subiu pela nuca de Zion, que pisou no freio sem pensar duas vezes.
O carro parou bruscamente. E então, atônito, ele viu seu chefe, o homem conhecido por ser frio e imune a qualquer romance, abrir a porta e caminhar direto até a mulher na calçada.
Ele estava se aproximando dela!
E tentando falar com ela!
Naquele instante, tudo o que Zion acreditava sobre o mundo desabou.
Anneliese mantinha a cabeça baixa, os olhos fixos no machucado da perna. Tinha caído enquanto fugia por um beco escuro.
De repente, uma sombra bloqueou sua visão. No canto do olho, ela viu um par de sapatos pretos e bem engraxados.
O sangue gelou em suas veias. O rosto empalideceu. Ela tentou correr, mas uma mão firme segurou seu pulso.
Sem hesitar, ela se abaixou e cravou os dentes na mão dele.
O homem soltou um som contido. A voz era baixa, grave, e desconhecida. “Sou eu... Jonathan.”
Anneliese congelou assim que percebeu que tinha mordido a pessoa errada. Soltou devagar e olhou para baixo, dando de cara com o focinho de Bisteca, sentado alegremente aos pés do homem, abanando o rabo com entusiasmo.
“Au!”
Morrendo de vergonha, Anneliese puxou a mão de volta como se tivesse tocado em brasa e deu dois passos para trás. “Me desculpa! É que estavam me perseguindo, e eu achei que...”
Mas, ao encarar o olhar calmo e firme de Jonathan, as orelhas dela ficaram vermelhas. Toda vez que encontrava esse homem, era sempre para pedir desculpas ou agradecer. Parecia que ele surgia sempre nos piores momentos.
“Sua mão tá bem?”, perguntou, culpada.
Jonathan abaixou o braço, escondendo-o da vista dela.
“O que aconteceu?”, perguntou, observando-a com atenção, o olhar pousando no hematoma próximo à têmpora.
Havia algo em seu olhar, claro demais, penetrante demais, que a deixava exposta. Constrangida.
E nem sequer eram próximos.
Ela forçou um sorriso e balançou a cabeça. “Não é nada. Eu só... Tropecei num morador de rua. Me assustei e caí.”
Rapidamente desviou os olhos e, tentando quebrar o clima, comentou num tom leve: “Não tem limite de altura pra ser piloto, Sr. Fullbuster? O senhor não passou da conta?”
Chegaram ao carro. Jonathan se inclinou, colocou-a com cuidado no banco de trás e apoiou uma das mãos no teto, ficando próximo o bastante para ela sentir a respiração dele.
“Quer dizer que acha que usei influência pra conseguir o cargo?”
Anneliese piscou, nervosa, e balançou a cabeça.
Os lábios dele se curvaram num leve sorriso. “Então isso quer dizer que me pesquisou. Engraçado, não me lembro de ter contado minha altura... Ou minha profissão.”
Ela ficou sem palavras. O silêncio caiu entre os dois.
Jonathan não esperou resposta. Fechou a porta e deu a volta até o lado do motorista.
Anneliese, ainda tentando se recompor da vergonha, lançou um olhar fulminante a Bisteca.
O golden retriever deitou no banco, enfiou o focinho entre as patas e até jogou uma sobre a orelha, fingindo que não tinha nada a ver com aquilo.
Jonathan entrou no carro e o veículo começou a se mover devagar pela rua.
Anneliese pigarreou, achando melhor tentar se explicar. “Sr. Fullbuster, o senhor é bem conhecido. Nem precisei procurar... As pessoas comentam.”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Construí seu império e vi tudo queimar quando ele me traiu
O preço pode ser mais baixo mas os episódios não são publicados totalmente “limpos”, isto é existem partes em cor azul que não se conseguem ler bem....