Nesse instante, uma buzina soou lá embaixo, e Anneliese teve um mau pressentimento.
Jessica correu até a janela, espiou e logo soltou um palavrão. “Ele teve a cara de pau de aparecer aqui!”
Sem pensar duas vezes, arregaçou as mangas, agarrou um haltere de quase dois quilos do chão e marchou em direção à porta.
Com medo de que ela realmente fosse usar aquilo, Anneliese correu para impedi-la. “Não! A gente vive numa sociedade com leis. Se ele se machucar, tudo bem, ele merece. Mas se algo acontecer com você, quem vai sofrer sou eu.”
Jessica hesitou, depois colocou o haltere de volta. Mas, em vez de se acalmar, disparou em direção à cozinha.
Anneliese pensou que ela fosse pegar uma faca e levou a mão à testa, exasperada. Para sua surpresa, Jessica voltou correndo um segundo depois e foi direto para a janela.
Elas moravam no terceiro andar, e Riverview Court era um condomínio antigo, com prédios baixos. Assim que a janela se abriu, Zacharias, que estava encostado casualmente em seu Maybach, ergueu o olhar.
Ele deu alguns passos à frente, levantando o queixo, os olhos estreitos enquanto tentava enxergar a silhueta de Anneliese.
Foi então que Jessica, sem a menor hesitação, virou uma bacia inteira de água pela janela.
Splash!
Zacharias foi rápido, desviou para o lado, mas a barra da calça ainda ficou ensopada. Mesmo no escuro, a expressão dele estava tempestuosa.
Ele lançou um olhar furioso para cima, mas Jessica nem piscou. “E aí, gostou do escalda-pés, Sr. Shaw? Quer outra dose antes de ir embora?”
Só de pensar no homem se unindo àquela mãe bruxa e à irmãzinha mimada para infernizar a vida de Annie, e ainda querer sacrificar o pobre Bisteca, dava em Jessica a vontade de jogar um balde de água fervendo.
“Jessica!”, gritou Zacharias, os olhos cortando a escuridão. “Não pense que eu não subo aí!”
Ela revirou os olhos. “Adoraria ver você tentar!”
Com um estrondo, Jessica bateu a janela e puxou as cortinas num gesto teatral.
Claro que Zacharias não ia desistir tão fácil.
O telefone de Jessica começou a tocar sem parar, e ele, de algum modo, conseguiu passar pela portaria e subir até o andar delas. As batidas na porta começaram... Altas, insistentes, impossíveis de ignorar.
Jessica empurrou Anneliese para o fundo do apartamento. “Vai deitar. Deixa que eu resolvo.”

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Construí seu império e vi tudo queimar quando ele me traiu