As quatro listras em seus ombros, que representavam o posto de capitão, pareciam tão tensas quanto as linhas de preocupação na testa de Anneliese.
Com um leve sorriso nos lábios, o homem provocou: “Levando pra casa um capitão de aviação com abdômen trincado, é isso?”
Anneliese ficou em silêncio. No fim, aceitou a situação e parou de ficar tão nervosa.
Já é ruim o bastante ter alguém comigo no elevador, e ainda por cima esse alguém é um conhecido, e um capitão, de uniforme e tudo! Ah! Mald*ta, Jessica!
As bochechas dela ficaram vermelhas de vergonha só de pensar nisso. Depois de muito esforço, ela conseguiu soltar algumas palavras.
“Oi, que coincidência! Você mora aqui também?”, perguntou, mesmo duvidando que ele realmente morasse ali.
Erguendo uma sobrancelha, Jonathan respondeu: “Claro. Por quê? Está planejando me levar pra casa com você?”
Mais uma vez, Anneliese ficou sem palavras.
A luz do elevador refletia sob o nariz perfeitamente delineado de Jonathan, enquanto o olhar baixo projetava uma sombra suave.
Seu olhar presunçoso deu a jovem uma nítida impressão de que ele a estava julgando por ousar ter pensamentos tão absurdos sobre ele.
Ela balançou a cabeça de forma rígida e disse: “Não, de jeito nenhum! Jamais teria uma intenção dessas! Tudo o que ouviu agora há pouco não é verdade. Minha amiga só estava me provocando.”
Logo em seguida, soltou uma risada encantadora, mas completamente constrangida, que ecoou pelo elevador.
Jonathan arqueou a sobrancelha novamente, sem muita reação. “Então você quer ir pra casa comigo?”
“Hã?”
Anneliese demorou alguns segundos pra entender o que ele quis dizer, até seguir o olhar dele. Foi então que percebeu que tinha esquecido de apertar o botão do andar, e o elevador já tinha subindo fazia tempo.
Desesperada, apertou o botão do 25º andar com as mãos trêmulas, apenas pra descobrir que, por coincidência, Jonathan morava um andar acima do seu.
Por ficar perto do distrito comercial, o apartamento havia sido um presente da avó de Anneliese, para facilitar o trajeto até o trabalho.
Nesse momento, um pensamento lhe veio à mente: É mesmo! A sede da AeroAir também fica no distrito comercial. Não é de se estranhar que Jonathan more aqui. Mesmo assim, isso é coincidência demais.
Ela abaixou a cabeça, frustrada. De costas pra ele, só queria que o elevador se apressasse e que ele parasse de falar.
Talvez suas preces tenham sido atendidas, porque o celular de Jonathan vibrou, e ele atendeu a ligação.
Anneliese soltou um suspiro de alívio, e o constrangimento sumiu aos poucos.
“Vovó”, ele cumprimentou, com a voz calma.

Seus olhos pousaram nos dedos dela, que se entrelaçavam ansiosos, e ele pensou: Cada dedo dessas mãos delicadas está vazio, nenhum sinal de aliança.
Mas há uma marca evidente onde um anel costumava ficar, no anelar direito. Será que realmente existe tanta coincidência assim no mundo?
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Construí seu império e vi tudo queimar quando ele me traiu