Alba
Um ano depois
Eu me sinto como um jogo de quebra cabeça. Eu fui montada e interpretada, porém repentinamente me desmontaram inteira e quando tentaram me montar novamente haviam peças faltando. Eu não posso chamar de ‘’branco’’ o que falta na minha memória, mas eu sei que aqueles dias em posse daqueles homens fizeram um buraco na minha memória que reaparece todos os dias quando fecho meus olhos.
Hoje, meu quarto é meu refúgio, meus livros são a minha vida e minha sombra é minha melhor companhia. Nunca mais saí daqui, nunca mais caminhei em qualquer lugar que não fosse os metros quadrados do meu quarto. Tirei todos os espelhos e qualquer coisa que possa ter reflexo. Mal conheço meu irmão que já anda e faz bagunça. Minha pobre mãe até tenta, ela tenta a todo custo me tirar daqui, tirar as amarras que me prendem na minha zona de conforto tão desconfortável, mas eu não permito, não permito que ninguém me toque, nem mesmo meu próprio pai. Qualquer homem que possa aparecer na minha frente já é motivo de pânico real. Eu quero distância de tudo e de todos. Não preciso de amigos e nem de novos sonhos, eu só quero ficar aqui até o dia em que finalmente vou me ver livre desse corpo, dessa vida.
Não acredito mais em Deus, não acho que ele exista pois se existisse não teria deixado acontecer nada comigo. Eu nunca fiz nada pra ninguém, eu nunca roubei, eu nunca nem sequer *matei uma formiga, por que ? Por que ele permitiu que isso acontecesse comigo ? Não faz sentido..
Ouvi uma batida na porta, provavelmente é minha mãe ou meu pai. Caminhei a passos lentos torcendo para que seja lá quem for, fosse embora, mas logo ouvi a voz do meu pai.
_ Filha, precisamos conversar.
Essas palavras foram como fagulhas, fechei meus olhos mentalizando jardins, flores ou qualquer coisa que me trouxesse paz.
Abri a porta lentamente, minha mãe estava junto, ela sorriu ao me ver. Seus olhos estavam vermelhos, como se tivesse chorado a pouco tempo. Dei passagem para que eles entrassem. Ainda sinto vergonha pelo o que houve, sinto vergonha por ter desobedecido suas ordens e até mesmo por ter sido *violentada.
_ Filha, eu e sua mãe conversamos. Você tem que sair desse quarto..
Abaixei minha cabeça e olhei pras minhas mãos, ainda possuíam marcas de cortes feitos em algum momento que não lembro.
_ Eu não quero.. não há nada de bom lá fora.
Falei com a voz baixa, carregada de mágoa.
_ Filha, construimos um galpão nos fundos..
Disse minha mãe.
_ Pra que mamãe? Não tenho coragem nem de andar no corredor. Jamais irei até o jardim.
Ela suspirou. Meu irmão começou a chorar, havia acordado. Ela levantou e saiu do quarto.

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