Alba
Cada passo que eu dava parecia ter quilômetros de distância. Meu coração estava na mão, literalmente.
Eu já estava a quatro dias caminhando pra cima e pra baixo, o corte da minha cesárea estava ardendo horrores e eu tinha a sensação de que a qualquer momento esse corte fosse abrir.
Passei a mão no meu rosto e coloquei na maçaneta, girando vagarosamente. Entrei no quarto de olhos fechados e abri assim que dei o segundo passo para dentro.
_ Dmitri…
Ele estava sentado na cama olhando para a janela enorme que deixava entrar os primeiros raios solares do dia. Um médico estava tirando alguns aparelhos dele e ele estava totalmente nu, com alguns curativos e muitas escoriações espalhadas pelo corpo. O doutor me olhou de uma forma estranha e eu não consegui identificar o que ele estava tentando me dizer com aquele olhar. Caminhei a passos lentos mas fui parada por um sinal que ele fez, indicando que eu não deveria me aproximar mais. Ele terminou de desligar alguns aparelhos e me guiou para fora do quarto. Dmitri permanecia sentado na mesma posição mas sem dizer nada.
_ Senhora Alba, precisamos conversar..
Caminhamos até outra sala, mas não fiquei sozinha com o médico, meu pai entrou logo em seguida.
Por sorte alguém especial para mim estava ali, porque se eu estivesse sozinha teria desabado no chão. De acordo com o médico, Dmitri perdeu uma parte da memória, mas se lembra quem é. Ele não se lembra de mim, de nossa história e nem das nossas filhas. Parece que tudo o que vivemos foi embora com esse acidente, tudo pelo o que lutei ao lado dele e todos os sentimentos que ele tem por mim se foram. Agora tudo o que resta é uma casca oca chamada Dmitri.
_ Mas..
Eu ia perguntar sobre as outras personalidades dele, mas decidi me calar.
_ Sim?
_ Ahm.. a memória dele pode voltar ?
_ Sim, mas levará tempo, ou talvez nunca mais volte. O senhor Dmitri tem um histórico bem agressivo, por isso pedi que a senhora se afastasse. Se quiser tentar falar com ele, tentar uma comunicação sugiro que não vá desacompanhada.
O doutor saiu e eu permaneci no quarto, sentei e chorei mais um pouco. Meu pai até tentou me acalmar, mas não havia como, era muita informação pra mim.
_ Eu vou vê-lo!
Falei resignada. Meu pai segurou minha mão.
_ Eu vou com você.
_ Não papai, está tudo bem. Eu sobrevivi uma vez a ele, vou sobreviver mais uma.
Meu pai ficou preocupado, dava pra notar o nervosismo dele mas eu precisava fazer isso. Caminhei lentamente até chegar no quarto dele, ele ainda estava do mesmo jeito, sentado na mesma posição. Meu pai parou na porta e deixou claro que se precisasse de qualquer coisa era só gritar. Eu já imaginava que ele não sairia dali.
Me aproximei da cama e comecei a fazer a volta até encontrar os olhos azuis dele.
_ Oi..
Falei um pouco tímida. Ele me olhou dos pés à cabeça, da mesma forma que o próprio Dmitri fez quando me conheceu depois do casamento.
_ Quem é você?
Perguntou ele com um pouco de desdém. Meu coração doeu ao ver que realmente ele não lembrava de mim.
_ Meu nome é Alba..
_ Alba?
_ Alba Bolshakov..
Ele franziu a testa, estranhando totalmente meu nome e sobrenome.
_ Não lembro de nenhum parente como você!
Ele virou a cara pra mim e voltou a olhar pela janela.
_ Eu não sou uma parente, sou sua esposa.
Ele voltou a olhar pra mim, mas dessa vez com uma expressão bem mais bizarra.
_ Quantos anos você tem?
_ Dezenove.
Ele riu, como se eu fosse uma palhaça.

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