Dias depois
Alba
Bom, ninguém me disse que seria fácil, ninguém me disse que seria difícil e nem impossível. Agora cá estou, arrumando mais algumas coisas do quarto das meninas. Elas estão engordando bem, estão ótimas de saúde e em pouco tempo estarão aqui comigo. Dmitri está bem debilitado ainda e a perna dele está bem feia. Ele passa o dia inteiro no escritório com a porta trancada. Ele odiou a decoração da casa. Eu sei disso mesmo sem ele ter dito nada, a cara dele já falou absolutamente tudo. Evitei conversar com ele. Ele precisa de espaço e eu também, principalmente porque ele nem dormido comigo tem, ele literalmente anda somente trancado naquele escritório.
Me enfiei debaixo do chuveiro, meu corpo está quase cem por cento normal, mas sinto uma falta absurda das meninas dentro de mim. De lembrança delas tenho apenas algumas estrias que ficaram e o corte.
Lavei bem meu cabelo, é hora de ir em um cabeleireiro. Sequei e coloquei uma roupa íntima confortável. Preciso ir até a maternidade tirar leite e ver minhas pequenas. Olhei para o colarzinho de prata que o Lobo me deu, tão bonitinho..
Coloquei ele no pescoço e me observei no espelho. Agora sim me sinto diferente. Queria que meu marido estivesse aqui pra me apoiar, pra dizer que tudo vai ficar bem e que logo vamos ser uma família completa e meio esquisita, mas ainda sim uma família. Sinto falta até do fantasma com aquele jeito cuidadoso e hipocondríaco dele.
_ Por que olha pra esse colar dessa forma?
A voz do meu marido com amnésia ecoou pelo closet, fazendo com que eu corresse pra me cobrir. Ele permaneceu me olhando como se não fosse nada demais.
_ Foi o Lobo quem me deu..
_ Hum.
O silêncio reinou mas ele não tirou os olhos de mim.
_ Escuta, o Lobo está bem?
Perguntei sentindo falta do assédio dele.
_ Não sei, e prefiro deixar quieto.
Disse ele me dando as costas. Mordi o lábio com raiva mas dei um sorriso forçado tentando manter a postura e a calma.
Coloquei uma roupa confortável e desci as escadas. Dmitri estava no escritório novamente e dessa vez eu entrei sem bater e aproveitei também que a porta estava destrancada.
_ Você não vai ver suas filhas ?
Perguntei indignada. Nesse tempo que estamos em casa ele nem perguntou pelas meninas.
_ Não. Pode ir você.
Disse ele enquanto voltava a olhar o computador. Peguei um livro da prateleira meio nostalgica.
_ Eu costumava ficar deitada nesse sofá enquanto lia..
Falei enquanto segurava o livro sentindo uma falta terrível do que um dia fomos.

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