Ivan
Sinto que Ekaterina está cada dia mais distante. É estranho, mas não acho que seja por minha causa. Ela ficou tão preocupada com meu estado de saúde e agora que estamos em casa ela parece ser qualquer coisa, menos minha esposa. Ela mesma está cuidando dos meus ferimentos e não deixa ninguém subir, nem mesmo os soldados. Às vezes ela aparece com os olhos vermelhos e rostinho inchado mas sempre diz que não é nada, que é só rinite ou alguma alergia boba. Eu duvido que seja isso mas tento disfarçar ao máximo minha desconfiança. Ela até anda estudando menos pra ficar comigo, o que faz com que eu me sinta meio culpado. Estou ainda com dificuldade pra me movimentar e pra fazer algumas atividades simples como tomar banho. Ela sempre me ajuda, o que é um prazer enorme ter as mãos dela em mim, mas não a sinto mais desejosa por estar na mesma cama que eu.
_ Venha, está na hora dos seus medicamentos.
Disse ela enquanto entrava no quarto. Já é quase uma da tarde e ainda estou deitado, mas meus pensamentos estão tão longes que nem percebi o quão tarde está. Levantei com um pouco de dificuldade e fiquei sentado por longos minutos na cama, somente de cueca box até que Ekaterina apareceu na porta.
_ Está sentindo algo?
Perguntou ela com a testa franzida e com a preocupação estampada em seu lindo rostinho.
_ Não, na verdade me sinto ótimo.
É mentira, estou completamente dolorido mas não vou falar isso pra ela. Levantei da cama e caminhei até o banheiro, ela veio atrás, provavelmente iria me ajudar com o banho.
Tirei a cueca e entrei debaixo do chuveiro, deixei a água escorrer pelo meu corpo e senti as mãos dela nas minhas costas, me banhando com o sabonete líquido que ela havia comprado recentemente. Agarrei a mão dela e me virei observando seu olhar meio distante.
_ O que houve loirinha? Você anda tão estranha..
_ Só estou preocupada com você, só isso.
_ Não minta pra mim amor, sou seu marido.
Eu tenho quase certeza que tem a ver com o sequestro. Infelizmente não tenho forças para torturar aqueles cretinos, mas em breve eles pagarão bem caro por tudo o que fizeram.
Ela derramou algumas lágrimas mas voltou a me olhar de maneira firme.
_ Desejo você forte e recuperado, somente quando isso acontecer vou sentar e conversar com você, ok?
_ Ekaterina..
_ Ivan, por favor me escute!
Ela voltou a esfregar meu peito, lavou com cuidado os ferimentos que eu não alcançava e depois me ajudou com a roupa. Sentei no sofá e ela trouxe um prato de sopa e a medicação.
Senti as mãos dela acariciando meus cabelos e logo em seguida um beijo. Alguma coisa aconteceu com ela durante esse sequestro e nem Olivia soube. Eu queria fazer tudo com as minhas próprias mãos, mas terei que pedir ajuda a alguém de confiança. A tortura daqueles filhos da *puta vai começar bem antes que o previsto.
(...)
_ Alo?
A voz do meu amigo ecoou pelo quarto. Coloquei Lobo no viva-voz, eu sei que é ele porque Dmitri nem querer me atenderia ainda mais agora que ele perdeu a memória, certamente ele voltou a me odiar.
_ Cara, preciso da sua ajuda.

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