Alba
Finalmente chegou o grande dia, o dia que mais esperei e ansiei em toda a minha vida. Finalmente minhas meninas estão de alta e meu peito está transbordando de felicidade com a notícia. Arrumei o quartinho delas umas dez vezes e quanto mais eu arrumava mais ansiosa eu ia ficando.
Ainda não sentei e conversei com o Dmitri e nem com o Lobo sobre o que aconteceu, mas vi que diversas vezes eles tentaram se aproximar de mim desde que aconteceu a discussão e de formas diferentes e arrisco em dizer que o Fantasma finalmente apareceu. Os cuidados indiretos me disseram isso e a maneira de andar é totalmente diferente. Provavelmente Dmitri está passando por alguma crise novamente, mas não serei eu a ajudá-lo, ele que se vire. Fiquei tão machucada com aquelas palavras dele que até agora sinto vontade de socá-lo, ele foi muito insensível e por mais que eu tenha feito algo muito importante sem a autorização dele não lhe dava o direito de me machucar daquela forma, ainda mais por algo que ele mesmo causou.
Peguei as duas cadeirinhas e desci a escada apressada, com o coração batendo forte.
_ Espera ! Eu vou com você.
Disse Dmitri enquanto corria pelos corredores. Ignorei e continuei caminhando com as cadeirinhas e uma bolsa com as roupinhas delas. Escolhi dois conjuntos de dourado com rosa. Elas ficarão lindas e delicadas. Bom, elas já são.
Dmitri tomou das minhas mãos as cadeirinhas e eu nem olhei pra ele. Apenas entrei no carro que estava pronto para nos levar. Ele dispensou o soldado e ficamos somente nós dois porém eu sentei no banco de trás. Acho que já estou acostumada. É um dia feliz e não quero discutir. Vou fazer o possível para tornar tudo mais agradável.
_ Está ansiosa?
Perguntou ele depois que saímos da garagem.
_ Sim.
Respondi calmamente. Permaneci olhando a paisagem sem dar muita atenção.
_ Contratei um pediatra para aplicar as vacinas, as consultas delas serão na nossa casa.
_ Hum.
É bom ver que ele se empenhou nisso. Sinceramente eu nem tinha pensado em algo privado. Pretendia levá-las mensalmente no pediatra.
Vi pelo retrovisor que ele mordeu o lábio meio desanimado, mas não me importei muito.
Quando ele estacionou no hospital mais três carros estacionaram também, todos cheios de soldados com armas grandes.
Não esperei ninguém e caminhei rápido para o elevador. Quando coloquei meu pé dentro da caixa de metal senti uma mão me puxar.
_ Não corra.
Disse Dmitri com uma voz calma. Não respondi, apenas coloquei o andar que eu desejava. Meis dedos começaram a batucar na bolsa e meus pés não paravam no lugar. A ansiedade estava tomando conta e o medo também. Fiquei imaginando se acontecesse alguma coisa e elas tivessem que voltar. Ou se eles resolvessem ficar com elas mais alguns dias, nossa, isso me quebraria por inteiro.
Quando finalmente chegamos no andar eu praticamente saí correndo, desesperada pra chegar logo nas minhas filhas. Deu pra sentir a tensão entre mim e Dmitri aumentar quando ele me puxou mais uma vez. Incrivelmente ele estava segurando as duas cadeirinhas com uma mão só e me puxando com a outra.
_ Alba!
_ Me solta, não sou nenhuma criança pra você fazer isso !
Ele fechou os olhos e depois abriu, nitidamente irritado. Quando ele finalmente me soltou eu corri para a ala onde minhas princesas estavam e sorri ao vê-las de banho tomado. Tirei as roupas da bolsa devidamente higienizadas e entreguei para a enfermeira. Ela me ajudou a vesti-las sob o olhar atento de Dmitri.
_ Prontinho mãezinha.
Disse a enfermeira ao vestir a última bebê. Coloquei as duas em suas devidas cadeirinhas, orgulhosa dos meus bebês. Até chorei um pouco de felicidade.
_ Ah minhas meninas, tão perfeitas..
Disse Dmitri ao observá-las mais um pouco. Acabei sorrindo, é bom ver que ele gosta da ideia de ser pai. Vamos ver como vai ser agora quando ele tiver mais responsabilidades. Querendo ou não aqui as enfermeiras fazem tudo e em casa não será assim.
O braço pesado do Lobo atingiu meus ombros e me puxou para perto dele. O cheiro de bebida quase me deixou embriagada.
_ oh Lobinha, sabia que eu te amo?
A voz rouca e cantada dele quase me fez rir.
_ Pare de beber, se eu precisar de você não o quero atirado em algum canto debilitado.
Ele resmungou alguma coisa em russo que não entendi.
_ Que ?
_ Eu disse que seu sorriso me *excita…
Disse ele com um sorriso no rosto. Tirei o braço dele do meu ombro e levantei.
_ Amiga, vou descansar um pouco mas amanhã nos falamos novamente.
Me despedi de Ekaterina e fui para o meu quarto, tomei um banho e me deitei em uma cama que tem no quarto das meninas. Acabei pegando no sono ao lado dos berços. Estava tão cansada que não me toquei que havia dormido pouco nos últimos dias.
Algumas horas depois escutei um barulho no final do corredor.
_ Não acredito que ele está realmente bêbado..
Resmunguei enquanto levantava da cama. As meninas permaneciam dormindo. Me esgueirei pra fora do quarto e observei Lobo abrir a última porta do corredor. Ele entrou e eu achei super estranho, ninguém nunca entra nesse quarto e sempre está bem trancado.

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