Ekaterina
Os anos passaram como um piscar de olhos. Anastasia já está com quase cinco anos e Ivan está insistindo em mais um filho, mas me recuso. Anastasia foi um presente divino, uma benção em nossas vidas, mas mesmo sabendo que o próximo também seria uma benção eu não pretendo ter outro. De certa forma é desgastante e Ivan tornou-se um pai extremamente protetor. É admirável ver o grande homem e pai que ele se tornou ao longo dos anos e sei que ele ainda é capaz de melhorar muito mais.
Terminei minha faculdade, a realização de um sonho e abri meu próprio consultório. Sinto como se eu fosse a mulher mais realizada do mundo. Tenho tudo o que eu sempre sonhei e até mais um pouco.
_ Loirinha, tá afim de sair ?
_ Para onde?
_ Um amigo nos convidou para jantar.
Ivan agora é um homem cheio de amigos. As vezes acho meio preocupante pois não consigo confiar em mais ninguém desde o sequestro. Tenho soldados comigo durante todo o dia e Ivan treinou duas mulheres para fazer minha segurança também.
_ Qual amigo?
Perguntei curiosa.
_ Um aliado alemão.
_ Ah.. ok, pode ser.
Tomei um banho quente e banhei Anastasia também. Ela é uma criança quieta e não se comunica muito. Também não brinca com qualquer um e nem de qualquer brincadeira. Ela é seletiva e presta atenção em tudo, está sempre em alerta. É como se ela tivesse absorvido todos os meus traumas.
Tive uma gravidez tranquila e cheia de amor e calor, mas mesmo assim é como se Anastasia tivesse sido gerada com dor e desprazer. Minha menina mal sorri.
Até achei que pudesse ser depressão ou algo parecido, mas não, ela apenas é assim. Tem medo de tudo e de todos por natureza. Ivan costuma dizer que ela puxou muito pela família dele, que sua mãe também era uma mulher séria, mas no fundo eu consigo perceber a preocupação dele.
Alguns boatos maldosos foram espalhados pela organização, boatos que me deixaram chorosa por dias, mas graças a isso nós voltamos a ter paz, pois muitos que queriam a mão dela desistiram. Agora são poucos os acordos que são propostos para nós.
Sequei os longos cabelos loiros dela e sequei com secador. Penteei e coloquei um arco de pérolas em seu cabelo, tirando os fios rebeldes dos seus olhos azuis cristalinos. Ela mesma escolheu um vestido rosa bebê rodado e uma sapatilha branca com meia-calça branca também. Nossa menina parece uma princesa, espero que algum dia ela encontre motivos para sorrir.
_ Vamos?
Perguntou Ivan ao entrar no quarto.
_ Claro.
_ Nossa, você tá uma…
Ivan ia concluir a frase mas observou que Anastasia nos olhando.
_ … uma princesa !
Concluiu ele meio sem jeito. Ele deu um beijo na minha mão e na mãozinha da nossa menina.
Nos mudamos para um apartamento maior. Ivan sugeriu uma casa assim como a do nosso Capo mas eu me recusei. Somos apenas nós três e não há necessidade de um lugar tão grande.
(...)
Entramos no restaurante e estava praticamente vazio. De longe observei um casal sentado em uma mesa. O homem era loiro e forte, a mulher morena e delicada. Uma criança sentou ao lado deles, um menino grande muito parecido com o homem.
_ Benno, a quanto tempo !
Disse Ivan enquanto cumprimentava o homem.
_ Ivan, pensei que tinha morrido!
_ Vaso ruim não quebra tão fácil!
Respondeu meu marido sorridente. Ele me cumprimentou com um aceno de cabeça e eu apenas sorri. Já a mulher foi extremamente calorosa e me abraçou.
_ Prazer, Ekaterina.
_ Muito prazer, me chamo Tereza.
Disse ela com um sorriso lindo nos lábios.
_ Essa é Anastasia, minha filha.
_ Ah, que linda!
Disse Tereza enquanto se abaixava para beijá-la na cabeça. Anastasia permaneceu inexpressiva.
_ Esse daqui é nosso filho Antony.
Disse ela enquanto puxava o menino. Ele tinha o rosto tão sério quanto o de Anastasia.
Sentamos todos na mesa e começamos a conversar sobre assuntos aleatórios. Minha filha permaneceu em seu mundinho observando os arredores enquanto o filho deles levantou e foi até a área infantil.
Pouco tempo depois ele voltou com um brinquedo nas mãos e colocou na mão da minha filha. Era um cubo mágico. No inicio ela ficou meio perdida mas depois começou a juntar as peças habilmente. O garoto não tirou os olhos dela e percebi que Ivan começou a ficar desconfortável.
_ E então, estão casados a quanto tempo?
Perguntei para Tereza, tentando mudar o foco dos olhares.
_ Nossa, a pouco mais de nove anos, e vocês?
_ A seis anos.
Falei enquanto sorria para o meu marido. Ivan sorriu de volta, mas a aproximação das duas crianças estava sendo um incômodo.
_ Antony, sente aqui com o seu pai..
Disse Tereza tentando tirar o menino da volta de Anastasia. Ele olhou para a mãe dele e depois voltou a olhar para Anastasia.
_ Antony!
A voz do homem chamado Benno saiu calma porém firme. O garoto sentou em seu lugar e respirei aliviada. Começamos a conversar novamente descontraídos. Tereza me contou a forma nem um pouco romântica que foi seu casamento e união com Benno. Fiquei chocada em saber que há homens capazes disso, mas pelo menos ele a ama e mesmo que ela quisesse não teria conseguido fugir dele.
Quando o jantar finalmente chegou todos comemos, porém nossa filha permanecia concentrada no cubo.
_ Filha, coma um pouco..
Falei baixo tentando chamar sua atenção, mas fiquei boquiaberta com o que vi.
_ Anastasia..
_ Olha mamãe.
Ela me entregou o cubo gabaritado, com todas as cores em seus devidos lugares.
_ Caramba, sua filha é bem inteligente.
Disse Tereza admirada também.
_ Sim.. parece que é.

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