Dmitri
Ficar brigado com ela não é tarefa fácil, é algo que incomoda demais, dói demais e é como uma substância tóxica e corrosiva.
Alba é tudo pra mim e eu já deixei isso claro diversas vezes. É minha esposa, minha companheira e minha amiga. Eu sei que de certa forma ela está certa em ficar chateada com esses acontecimentos, mas Lev precisa ser meu sucessor, se eu criá-lo somente com flores e amor ele não saberá como lidar com situações mais tensas futuramente e isso pode prejudicá-lo, até mesmo tirar sua vida. Eu amo meus filhos, amo minhas filhas imensamente e tudo o que eu faço é pra mantê-las protegidas de tudo e de todos.
Eu queria esfolar vivo o maldito jardineiro, queria e ainda quero. Ele tocou na minha preciosa filha e isso pra mim é inaceitável. Eu não queria ter que enfrentar Alba na frente de todos e não queria que ela tivesse feito isso também mas acabei encurralando-a, ela não tinha opção e eu também não.
Me senti péssimo depois e acabamos brigando direto. Lev não está falando comigo e nem com ninguém da casa, ele é como um fantasma cheio de rancor vagando pelos corredores frios daqui e vejo muito de mim nele, ainda mais nessa fase. Eu odiava meu pai, odiava ele com todas as forças do mundo, só espero que meu filho não me odeie.
_ Vamos pra cama?
Perguntei enquanto acariciava o rosto da minha esposa.
_ Estou com um pouco de cólica, desculpa.
_ Tudo bem, vou trazer uma bolsa de água quente pra você.
Ela deu um sorriso fraco. Esses dias de brigas intensas foi cansativo para nós dois e muito estressante. Ajudei Alba a secar seu corpo tenso, distribui alguns beijos pelo seu ombro e ajudei com a colocação do absorvente, ainda é difícil encaixar esse traço na calcinha. Acho que sou mais rápido montando e desmontando uma arma.
Alba colocou um pijama horroroso e broxante, mas que ao mesmo tempo me faz recordar do nosso primeiro ano de casados.
_ Já volto princesa.
Falei enquanto depositava um beijo nos lábios dela. Desci as escadas e coloquei água para esquentar na chaleira, mas ao olhar pela janela da cozinha uma coisa me chamou a atenção. Lev estava sentado em uma cadeira olhando para o gramado, sozinho.
Deixei a água aquecer e enquanto ela ainda não estava quente o suficiente fui até ele.
_ o que faz na rua? Está frio.
Falei ao tocar o ombro dele.
_ Nada.
_ Nada? Tem certeza ?
Sentei ao lado dele em outra cadeira que havia ali. Ele permaneceu olhando para o gramado, mais especificamente para a estufa que aconteceu toda a confusão.
_ Lev, você pode se abrir comigo filho, somos amigos não somos?
Fiquei com medo da resposta dele e o silêncio veio pra complementar meu medo.
_ As pessoas não gostam de mim.
Disse ele com o rosto inexpressivo.
_ É impressão sua..
Não era, eu sabia que não era e que ele estava certo.
_ Não precisa mentir pra mim papai. Não é como se eu fosse me derramar em lágrimas como a Laena, o senhor sabe bem do que estou falando.
Abaixei minha cabeça tentando pensar em palavras sábias, mas sinceramente acho que meu filho precisa apenas da verdade.
_ Eles têm medo de você.
_ Mas por que? Eu nunca fiz nada demais.
_ Não fez ainda, filho. Você é muito parecido comigo.
_ E por que está me privando dos treinamentos mais pesados? Eu não tenho problemas com sangue e não me importaria em ir em missões, o senhor sabe disso.
_ Porque não quero que aconteça com você o mesmo que aconteceu comigo. Não quero que se torne um garoto fragmentado.

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