Alba
Ele arrancou a arma da minha mão e me arrastou até os fundos da mansão, nunca parei pra reparar que há uma floresta enorme. Ele me arremessou no chão, mas a neve fofa amorteceu a queda.
_ O que você vai fazer?
Perguntei enquanto levantava. Ele começou a rir e a tirar o casaco, depois a blusa mostrando seu abdômen definido.
_ Você vai ser minha coelhinha, vai ser minha ouviu bem ? Agora corre, corre porque hoje o Lobo vai te pegar!
A maneira que ele proferiu as palavras me fizeram teme-lo ainda mais. Meu sangue gelou e eu comecei a correr desesperadamente. Comecei a sentir o mesmo pânico que senti enquanto Wilson dirigia para aquela cabana nojenta em meio ao nada. Eu corri como se estivesse correndo dele, correndo do homem que foi meu amigo e me traiu, me vendeu e me machucou de todas as formas possíveis. Meus olhos escorriam lágrimas enquanto eu corria como se a qualquer momento pudesse sentir as mãos dele no meu corpo novamente, me forçando a entregar aquilo que somente eu poderia dar por livre e espontânea vontade.
Depois de alguns minutos correndo pela vida parei em uma clareira, cansada. O ar gelado entrava pela minha boca e ia direto para meus pulmões que pareciam duas pedras de lava, eles queimavam como uma fogueira incandescente. Meu pai me pediu pra ser forte, mas contra Dmitri eu não sou nada, ele é forte demais pra mim.. ele é forte até para Olivia, e eu sou só eu. ‘’Você é uma menina forte e acima de tudo esperta.’’
A voz da minha mãe ecoou na minha cabeça também. Olhei para o chão e havia muitas pegadas, todas minhas. Ele vai me caçar.. ele vai me caçar até me achar..
Olhei à minha volta, havia muitos arbustos densos e cheios de espinhos, somente um louco tentaria se esconder dessa forma. Apalpei meu bolso, a faca que ganhei estava ali, minha fiel amiga.
Pisei em uma raiz de árvore e parei de pisar na neve, subi cuidadosamente até um dos arbustos que estava em um relevo alto, e rapidamente entrei nele. Os espinhos começaram a arranhar e a furar minha pele, mas minha raiva era tanta que eu só queria ter uma chance de acabar com a raça do homem que estava me perseguindo. Fiquei paradinha, quietinha. Fechei meus olhos e fiz uma prece, se eu quiser sobreviver, se eu quiser VIVER eu preciso mostrar que não sou uma menina fraca, eu sou uma mulher. A menina Alba *morreu naquela cabana imunda.
Ouvi alguns passos pesados, galhos se quebrando. Não demorou muito e vi o corpo masculino que divide duas personalidades completamente diferentes. Ele se agachou de costas pra mim observando as pegadas que misteriosamente sumiram. Eu sabia que era uma questão de minutos pra ele entender que aquilo era uma armadilha. Eu apertei a faca na minha mão, não podia falhar, não podia exitar e também eu definitivamente não poderia matá-lo, se não eu seria *morta também e aconteceria uma guerra *sangrenta.
Pulei, senti os espinhos rasgarem a pele do meu rosto, dos meus braços e das minhas coxas. O Lobo não conseguiu virar a tempo, cravei a lâmina nas costas dele e grudei meus braços em seu pescoço. Ele tentou puxar meus cabelos esticando o braço até a metade de suas costas largas mas desviei, tirando a faca e enfiando novamente. Quando tirei mais uma vez a lâmina escorreu mais *sangue, tingindo a neve de vermelho. Ele não gritou e eu também não, tudo que se ouvia era o som pesado das nossas respirações. Desci da garupa dele. O Lobo cambaleou pra trás e depois pra frente, caindo de joelhos. Ele me olhou com um olhar diferente. Me aproximei dele e cravei a lâmina em seu ombro, o mesmo que eu havia machucado da última vez, e mesmo assim ele não gritou e não reagiu.

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