Alba
Os parafusos da minha cabeça começaram a girar, e então um mais um deu dois. Será que tá certo ? Bom, só vendo pra crer. Pode parecer horrível pra mim como mulher falar isso, mas não acredito nessa empregada assanhada, não consigo acreditar mesmo! Desci as escadas e fui direto pra cozinha, o Lobo acabou de sair, provavelmente pra *torturar e *matar o coitado do soldado que talvez seja inocente dessa *merda toda.
Comecei a olhar os armários, claro que ela não iria deixar tão na cara. Tem uma pequena residência nos fundos onde algumas empregadas dormem. Corri pro meu quarto e peguei a *arma e a *faca que eu deixei escondidos, coloquei uma calça jeans preta que marcou perfeitamente minha *bunda, calcei uma bota que vai até o joelho e uma blusa quente de gola alta. Coloquei o colar que o Lobo me deu do lado de fora, fazendo a prata se destacar no tecido preto.
_ Nossa, tô me sentindo uma Olivia da vida.
Murmurei enquanto me escondia atrás de uma árvore, com a arma enfiada na cintura e a faca na bota.
Ela bateu a porta da pequena casa, saiu sorrindo. Um sorriso muito grande pra quem acabou de quase ser *estrupada. Ela passou por mim e não me viu, então corri pra dentro da casa que estava vazia.
Vasculhei a pequena cozinha que havia ali e subi para os quartos. Achei o dela só pelo perfume de *puta enjoada, o mesmo que a Roberta usa. Olhei as gavetas e até debaixo do colchão, mas não encontrei nada.
_ Droga.. tem que haver algo.
Murmurei com a mão na cintura, parada no meio do quarto. Vi que há um pequeno lixo do lado da cama. Uma embalagem roxa estava bem acima, não sei ler essa língua mas a imagem do medicamento dá ao entender que é calmante.
_ Eu sabia, *vagabunda!
Minha prova é meio vaga, mas eu tenho certeza que essa vaca tá me dopando. Sempre que eu pego qualquer coisa que venha da mão dela eu acabo em um sono profundo. Esses dias dormi mais de dezoito horas seguidas, isso não tá normal e o *babaca do meu marido não tá vendo.
Caminhei até a minha casa novamente, com a embalagem no bolso. Ela estava na cozinha fazendo alguma coisa, pedi que dois soldados me acompanhassem, estou me sentindo bonita demais pra sair no tapa com alguém, ainda mais com quem não vale a pena. Um dos soldados fala espanhol então terei um bom tradutor comigo.
_ Boa tarde !
Falei enquanto parava de braços cruzados na frente dela. Ela observou os dois soldados e fez cara de coitada me cumprimentando também.
_ Eu quero saber exatamente o que você está aprontando!
Mais uma vez ela se fez de vítima colocando a mão no peito e dizendo que não estava fazendo nada, apenas trabalhando. Muito sem paciência pra um diálogo demorado ordenei que os soldados revisassem ela. A mulher começou a ficar nervosa e gritou com os homens, até uma bofetada o coitado tomou. Um deles tirou um pequeno frasco do bolso dela e me entregou.
_ O que você pretendia com isso?
Perguntei irritada.
_ Você não merecia ser a primeira dama, estrangeira !
_ Ah, agora você fala a minha língua sua vaca !
Enfiei minha mão na cara dela, mais irritada que nunca. Esse tempo todo a *trouxa aqui estava usando o app e a bonita sabia minha língua, nossa, que perfeita *idiota que eu sou!
_ Você não tem sangue bom, nem conseguiu segurar a criança do Capo e nunca vai conseguir, sangue ruim!
_ Não diga o que você não sabe !
Rosnei as palavras irritada.
_ Ainda bem que essa criança *morreu, dessa forma ele vai ver que você não presta e vai ter que procurar outra.
Avancei nela e sem aviso a arrastei pelos cabelos até o carro.
_ Coloca essa vaca no porta malas !
Ordenei entredentes. Os soldados obedeceram.
_ Agora vamos pro galpão!
_ Mas senhora..
_ ANDA !
Eles deram partida e mais três carros nos seguiram. Nunca imaginei que eu fosse sentir raiva por alguém falar do meu filho, mas agora, ouvindo as palavras saírem da boca dela, vi que não é bem assim.
Quando chegamos ordenei que arrastasse ela pra dentro. Corri na frente e quando entrei me assustei, o pobre soldado estava todo machucado e Lobo estava fazendo-o de saco de pancadas.
_ PARA !
Lobo virou assustado. Todos os homens que estavam ali também pararam de falar, tudo aquilo mais parecia um show de horrores.
_ O que faz aqui?
Perguntou Lobo com o rosto *ensanguentado, *sangue esse que não é dele.
Me aproximei do soldado passando reto pelo meu marido que ficou me olhando.
_ Eu sei que você me entende, então me diga, por que ela fez isso com você?
Talvez eu assista muita série de suspense porque eu tenho certeza que ela queria se livrar desse cara.
Ele cuspiu um pouco de sangue e me encarou.
_ Eu vi..
Ele murmurou.
_ Viu o que ?
Perguntou o Lobo.
Perguntou Lobo, com a maior calma do mundo.
_ N-não senhor.. por favor misericórdia..
Lobo deu uma risada fria.
_ Vamos Lobinha, você não vai querer ver.
_ Ver o que ?
Alguns homens começaram a se aproximar e Lobo praticamente me arrastou pelo braço.
_ Lobo ?
Entramos no carro.
_ O que eles vão fazer ? Eu nem me vinguei !
Falei irritada.
_ Alba, você sabia que na minha máfia quando uma mulher acusa um homem de *estupro e ele é inocente, ela é obrigada a pagar com exatamente aquilo que ela falou?
_ Então eles..
_ Estou orgulhoso de você lobinha, e desculpe não ter percebido antes que seu sono não era normal.
_ Lobo, aquela mulher vai..
_ Não se preocupe, esqueça ela e agora foque em você! Marquei algumas entrevistas pra amanhã, todas são fluentes em espanhol.
Lobo estava sem camisa e dirigia tranquilamente, mesmo com o corpo cheio de sangue. Eu, no banco do passageiro fiquei apenas observando a forma como ele realmente não ligava para o que ia acontecer com aquela mulher. Por um lado me senti péssima, terrivelmente péssima, nem imagino o que farão com ela, mas por outro lado não sinto nada pois a maneira que ela falou do meu filho.. isso me incomodou muito. Será que eu tenho o sangue ruim mesmo?
Lobo não parou de tagarelar um minuto, já estava me dando dor de cabeça, mas deu pra ver que ele estava com um brilho diferente no olhar, talvez esteja realmente orgulhoso.
_ Pra qual hospital levaram o coitado?
Perguntei atropelando o assunto bobo que ele estava falando.
_ Acho que o mais próximo, por que
_ Por nada, só pra saber.
Amanhã, se der, vou ir visitá-lo, afinal de contas fomos duas vítimas daquela cobra peçonhenta.

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