Dante.
Ele invade a sala como uma tempestade.
Os olhos escuros percorrem tudo rapidamente: o médico, a enfermeira, a seringa apontada para o meu braço.
— Tira essa porra do braço dela. Agora — Dante ordena, baixo. — Ou eu mesmo arranco.
A enfermeira olha apavorada para o médico, completamente perdida.
— Isso é um procedimento legal, o senhor não pode… — o médico tenta argumentar, mas a voz morre quando Dante vira o rosto lentamente em sua direção.
— Se continuar insistindo, eu fecho essa clínica antes do almoço. Quer testar?
O médico empalidece imediatamente. A enfermeira remove o acesso do meu braço com as mãos trêmulas, evitando olhar para qualquer um de nós.
Dante dá mais um passo e sinto o calor do corpo dele antes mesmo que ele pare ao meu lado, me encarando de cima com aqueles olhos avelã escurecidos.
— Levanta e se veste. Você não vai matar meu filho.
A firmeza na voz dele faz meu corpo obedecer antes mesmo que minha cabeça consiga pensar.
Desço da maca com as pernas fracas, entro no banheiro e me visto o mais rápido possível. Quando saio, Dante já está me esperando perto da porta.
Pego minha bolsa com as mãos trêmulas e sigo atrás dele sem olhar para trás. Ao chegar no estacionamento, ele finalmente me olha.
— Da próxima vez que pensar em tirar algo meu do seu corpo, vai me olhar nos olhos primeiro.
Dante destrava o carro, entra, e o silêncio continua pesado mesmo depois que ele começa a dirigir.
— Por que você decidiu fazer um aborto? — pergunta, rouco, mantendo os olhos na estrada.


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