Ao verem Arthur Vasconcelos e Julia Alencar entrarem, vários se levantaram para recebê-los.
— Thur!
As pernas de Dona Vasconcelos não eram muito boas por causa da idade, mas ela se empolgou e se levantou com a ajuda do mordomo. Deu passos rápidos até parar na frente de Arthur Vasconcelos.
Ela o examinou de cima a baixo várias vezes antes de dizer, com os olhos cheios de lágrimas:
— Que bom que voltou! Que bom que voltou! Você está mais magro, e também mais maduro!
Após falar, a senhora pegou a bengala com um ar de frustração, como se fosse bater nele:
— Seu garoto ingrato! Ficou cinco anos fora. Nem no Ano Novo quis voltar para ver a sua avó. Eu já estava achando que ia fechar os olhos de vez e nunca mais ia te ver!
Arthur Vasconcelos tinha rebeldia no sangue:
— Fique tranquila, vovó, os seus velhos ossos são mais resistentes do que a coluna dos seus netos. A senhora com certeza vai viver até os cem anos.
Henrique Vasconcelos abriu um sorriso de lado para brincar:
— O gênio do Thur não mudou. A vovó acabou de falar que você estava mais maduro e logo em seguida você começa a tirar sarro dela.
A família inteira caiu na risada.
A cena era cheia de energia e afeto. Não existia de forma alguma o atrito e a oposição entre a primeira e a segunda parte da família que quem via de fora deduzia.
Julia Alencar se manteve quieta o tempo todo ao lado, calada e sem fazer barulhos.
Arthur Vasconcelos a observou pelo canto do olho e ergueu uma sobrancelha.
No passado, ela também era desse jeito.
Cada vez que ia à casa antiga, adotava a mesma postura de submissão, como um cordeirinho que aguarda a faca e pode ser devorado em qualquer segundo.
Depois que os dois retornavam e o quarto escurecia com o apagar das luzes, ela virava um bicho feroz e distribuía dentes, desenhando as marcas nele.


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