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Coração Refeito: A Trajetória de Uma Hérói romance Capítulo 1066

Ricardo preferiu ignorá-lo e seguiu Florença, acompanhando-a para fora do prédio.

Uma vez dentro do carro.

Ricardo finalmente quebrou o silêncio e perguntou:

— O que aconteceu?

Florença soltou um suspiro profundo, com os olhos fixos na rua à frente, e respondeu:

— Não foi nada.

Naquele instante.

O telefone dela tocou, avisando sobre uma mensagem no WhatsApp. Era de Carnelo: Você não pode simplesmente me dar uma explicação?

Florença: Por que eu deveria te dar uma explicação? E explicar o quê, exatamente?

Carnelo: Tudo bem se não quiser. Você não quer que eu te acompanhe, então vou ficar aqui esperando.

Florença: Carnelo, será que você não tem nada melhor para fazer da vida?

Parecia que ele estava com tempo de sobra ultimamente.

Carnelo: Eu já te disse que tirei o dia de hoje para ficar livre. O que você quer que eu faça sozinho?

Lendo a mensagem do homem, Florença sentiu-se completamente sem reação. Largou o telefone no colo, apoiou o cotovelo na janela, acomodou a cabeça na mão e fixou o olhar lá fora. Sua respiração tornara-se notavelmente mais pesada.

Ricardo lançou um olhar pelo canto do olho e constatou que ela ainda era presa fácil para os sentimentos despertados por Carnelo.

— A aula da Katharine termina a que horas?

— Às três da tarde — disse Florença.

— E você quer voltar aqui para buscar a Katharine? Ou prefere deixar que o Carnelo a leve de volta? — quis saber Ricardo.

Florença ficou em silêncio. A viagem até o Rio Oeste levaria quase uma hora, ou seja, duas horas entre a ida e a volta. Checou o relógio: já eram quase onze.

Notando a hesitação dela e lembrando que, devido à gravidez, Florença não devia se desgastar tanto, Ricardo sugeriu:

— Vamos remarcar para outro dia?

Florença abaixou a mão, hesitou um segundo e respondeu:

— Não é necessário.

Ao mesmo tempo.

Carnelo continuava largado no sofá, com os olhos fixos na tela do celular. Como Florença não respondera, ele guardou o aparelho e virou o rosto para as enormes janelas de vidro. Sua fisionomia irradiava irritação e tédio.

Cerca de dez minutos se passaram.

Uma silhueta irrompeu pela porta principal do saguão.

Carnelo finalmente virou-se para ele e propôs:

— Vá buscar a sua irmã, e eu lhe concederei um favor, seja ele qual for.

Ricardo rolava a tela do celular com displicência. Ao ouvir a oferta de Carnelo, deu-lhe um rápido olhar e voltou os olhos para o aparelho, sem dar um pio.

Carnelo torceu a expressão, desferiu um leve chute na perna dele e insistiu:

— Você ouviu o que eu disse ou não?

Ricardo simplesmente se levantou e ocupou outro assento, recusando-se a responder.

Carnelo: "..."

Em um acesso de fúria, Carnelo levantou-se, postou-se diante de Ricardo e puxou-lhe o celular das mãos, rugindo:

— Ricardo Lacerda!

Ricardo devolveu-lhe o olhar, imperturbável, e disse com tranquilidade:

— Vai me devolver o celular?

— Você está fazendo isso de propósito, não está? — rosnou Carnelo.

— De propósito o quê? — retrucou Ricardo.

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