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Coração Refeito: A Trajetória de Uma Hérói romance Capítulo 1093

Se não tivesse visto com os próprios olhos, seria realmente difícil de acreditar.

O Diretor Faria lançou um olhar rápido na direção de Florença. Ricardo claramente tinha um certo receio de Evelynn. A esposa de Carnelo conseguia até dar lições de moral em Ricardo? Aquela era uma dinâmica que realmente instigava a curiosidade, mas, no mínimo, indicava que se ele conseguisse construir uma boa relação com Evelynn, as negociações tanto com Ricardo quanto com Carnelo fluiriam com mais facilidade.

Após trocar algumas palavras rápidas com Ricardo, o Diretor Faria caminhou proativamente em direção a Florença e a cumprimentou:

— Evelynn, quanto tempo. Sou Fábio Faria, do Grupo Zênite. Nós já nos conhecemos antes.

Florença estendeu a mão e o cumprimentou.

— Claro que me lembro, Diretor Faria.

O Diretor Faria riu com gosto. Bastava que ela se lembrasse. Depois de conversar um pouco mais, despediu-se dos dois e subiu as escadas, indo embora.

Florença voltou a se sentar no sofá, pegou o celular e começou a checar a tela, tratando o homem ao seu lado como se ele não existisse.

Ricardo ficou ali parado, observando-a. Ele assumira novamente uma postura submissa e de cabeça baixa, aparentando querer dizer algo, mas sem saber exatamente o quê.

Estava com medo de falar algo que a irritasse novamente.

Florença ergueu o olhar para o homem parado como um fantoche e disse:

— Você não vai embora?

Ricardo voltou a si, assentiu e disse:

— Então eu vou indo.

Florença abaixou os olhos e desviou a atenção dele.

Ele deu as costas, caminhou até o carro e enviou uma mensagem para Carnelo: "Você é mudo por acaso? Não tem boca para falar sozinho?"

Aquele traste merecia cada palavra da bronca e teria que arcar com as consequências.

Depois de enviar a mensagem, Ricardo colocou o celular de lado e preparou-se para dar a partida. Mas, ao levantar a cabeça, avistou um carro esportivo estacionado na diagonal e viu Carnelo saindo do veículo. Ele usava uma camisa branca e óculos de sol em tom de chá, que escondiam as emoções em seus olhos, caminhando com passos largos e uma das mãos no bolso.

Ricardo ficou apenas o observando.

Carnelo parou ao lado da porta do motorista e bateu no vidro, que começou a descer lentamente. Ricardo o encarou de soslaio, sem dizer nada.

— Foi isso que ela disse quando deu a bronca? — perguntou Carnelo.

— E você parece bem satisfeito com isso — retrucou Ricardo.

— Ela só te deu um sermãozinho, não tenho motivos para ficar satisfeito.

Ricardo fixou um olhar gélido nele e deu um sorriso cínico:

— É melhor você dar o fora daqui agora mesmo.

Antes de dar mais que alguns passos, ouviu o som da porta do carro abrindo e fechando atrás de si.

Ao olhar para trás, Carnelo viu Ricardo avançando em sua direção com passos largos e uma expressão sombria.

— E mais uma coisa...

Antes que pudesse terminar a frase.

Ricardo esticou o braço longo, enganchando-o no pescoço de Carnelo. O corpo de Carnelo inclinou-se para baixo e sua respiração travou. Ele segurou o braço de Ricardo com as duas mãos e exclamou:

— Ricardo, me solte!

Ricardo continuou a arrastá-lo em direção ao próprio carro.

Carnelo firmou os calcanhares no chão, estabilizando-se e avisando em tom de ameaça:

— Ricardo, se não me soltar, não me culpe pelo que eu vou fazer!

— Então tenta fazer alguma coisa!

Quando Florença saiu do saguão e caminhou diretamente para a beirada da rua, notou de longe, na direção do estacionamento, os dois homens agarrando e puxando um ao outro.

Eles não chegaram a trocar socos de verdade; estavam apenas num empurra-empurra ridículo, sem o menor pingo de dignidade. Os óculos de sol de Carnelo, em algum momento da confusão, já haviam caído no chão.

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