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Coração Refeito: A Trajetória de Uma Hérói romance Capítulo 1106

Florença ficou atônita por um instante.

— O papai está lá fora sozinho. Ninguém está fazendo companhia para ele — continuou Katharine, com os olhos grandes e pidões, capazes de amolecer qualquer coração.

— Está bem, a mamãe vai levar algo para ele comer — rendeu-se Florença.

— Eba!

Naquele momento, Luciele as chamou, avisando que o churrasco já estava na grelha. Renata aproximou-se para pegar Beto no colo.

Florença levou as duas crianças para perto da mesa. Por conta de suas restrições alimentares atuais, Renata havia pedido que preparassem alguns pratos mais leves especialmente para ela.

Florença pegou um prato e colocou dois pedaços de Batata-doce com mel, alguns espetinhos grelhados e uma lata de Fotiaoqiang.

Ao descobrirem que Carnelo ainda estava esperando do lado de fora, Luciele, Valéria e os demais ficaram surpresos, mas preferiram não fazer perguntas.

— Eu vou com você. Deixa que eu levo isso — disse Ricardo, levantando-se. Ele não achava seguro deixá-la carregar o prato sozinha.

— Tudo bem — concordou Florença.

Com Ricardo segurando o prato, os dois caminharam em direção ao portão principal.

— Ele vai levar a Katharine para casa mais tarde? — indagou Ricardo.

— A Katharine disse que quer ir para casa — explicou ela.

— E você vai junto.

— Vamos ver o que acontece na hora.

Afinal, a convivência entre eles estava relativamente pacífica naquele momento.

Ao chegarem ao portão.

Ricardo não avançou mais. Ele entregou o prato a Florença, que o olhou confusa.

— O que foi?

— Não quero olhar para aquela cara amarrada dele. O cara fica lá de mau humor e eu ainda tenho que entregar a comida — respondeu Ricardo.

Florença o observou por um segundo antes de pegar o prato. De repente, lembrou-se:

— Ah, a propósito, ele disse que você precisa pagar os óculos de sol que quebrou.

Ricardo soltou uma risada seca e sarcástica.

Florença saiu pelo portão segurando o prato. Através do para-brisa, viu o homem no banco do motorista, concentrado no notebook. Assim que notou sua aproximação, Carnelo deixou o tablet de lado e abriu a porta para descer.

Florença parou e disse, olhando-o nos olhos:

— Trouxe para você.

Carnelo deu uma olhada na comida e perguntou num tom sério:

— Quem assou tudo isso?

— Faz alguma diferença quem assou? — retrucou ela.

Ela esticou o braço para pegar o prato de volta, mas o homem o desviou habilmente com uma só mão.

— Você...

Carnelo abriu a boca para rebater, mas viu alguém saindo pelo portão. Ouvindo os passos, Florença também se virou.

Ricardo aproximou-se dos dois e, encarando Carnelo no mesmo nível, ofereceu:

— Florença, pode voltar. Eu fico de olho nele enquanto come. Vamos ver se essa comida vai causar algum problema.

Carnelo fixou um olhar gélido em Ricardo.

— Quer que eu já ligue para o 192 por precaução? — provocou Ricardo.

Vendo a tensão infantil entre os dois, Florença apenas advertiu:

— Não vão brigar aqui na porta.

Ao entrar na área da casa, ela ficou um momento parada perto da entrada, tentando captar algum som do lado de fora. Estava tudo silencioso. Nenhum dos dois disse uma palavra. Segundos depois, ouviu-se apenas o barulho de uma porta de carro batendo.

Após mais um breve instante, ela viu Ricardo entrando.

Ricardo olhou para Florença e informou:

— Não brigamos.

— Até parece que vocês dois não são farinha do mesmo saco — alfinetou ela.

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