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Coração Refeito: A Trajetória de Uma Hérói romance Capítulo 1130

Ao escutar a voz aflita de Luciele, Ricardo não esboçou surpresa. O desdobramento fatal dos eventos já desenhara-se claro em sua intuição:

— Entendido.

A linha foi cortada.

O temor rastejava pelas veias de Luciele.

Vítor foi taxativo:

— Só nos resta esperar a poeira baixar.

— E o que diabos Hadrian tem em mente?

— A linha principal de sucessão só restou a ele — retrucou Vítor. — Se Hadrian não apostar a própria carne em sacrifício e atear fogo às alianças fétidas de sua herança, todo o império será desmembrado pelas sucursais gananciosas. A destruição da ordem passada é o berço do novo império.

O cenho de Luciele franziu e seus cílios pesaram.

— Cruzar espadas abertamente com um gigante brutal como Carnelo é flertar com a aniquilação nas trincheiras de amanhã. Ele não receia que Marques arrastará sua cabeça para a guilhotina em cada transação financeira?

— O mercado ignora o conceito da amizade leal e abomina traições fúteis. Tudo se resume a interesses perenes. Veremos se a estratégia brilhante de Hadrian é perversa o suficiente para reequilibrar essa balança sangrenta.

Um longo e exausto suspiro deixou o peito de Luciele. Havia acompanhado centenas de batalhas de clãs por montanhas de dinheiro, laços fraternos esmigalhados, príncipes trancafiados em catacumbas da justiça ou enterrados à meia-noite em valas não marcadas para proteger patentes e terras.

Porém, uma mobilização bélica dessa magnitude comandada por um único bastardo, com os tabloides calejados de calmaria mas as veias internas pulsando tsunamis, era obra de puro apocalipse.

— Que inferno... Onde estarão Florença e Rodrigo neste instante?

Vítor, inabalável, pontuou:

— Eles continuam vivos, isso é inegável. Solte a respiração.

Luciele concordou com a cabeça.

Afastando as preocupações de Luciele, Ricardo foi direto em busca da fera. Mas a chamada esbarrou num silêncio estéril; a fúria cega de Carnelo repelia toda linha de vida.

A tela do telefone escarnecia de suas boas intenções.

A temperatura subiu na respiração de Ricardo.

Lançou a ordem imediata ao capanga:

— Leve-me ao Parque Tropical.

Ao atingir a grandiosa morada.

Carnelo ainda não havia retornado do front de batalha.

O silêncio do salão envenenava os quadros, deserto de almas, imerso em gélida melancolia.

Uma cuidadora se sobressaltou com a entrada do elegante intruso, aproximando-se submissa.

E, de repente, o eco lúgubre de fúria se abalou no pátio, esfarelando a sepulcral calma.

Um passo veloz e predatório...

Carnelo rompeu o pórtico como um tornado da meia-noite, as vistas escaneando cada grão de sujeira na casa até atracar-se nas feições impassíveis de Ricardo aguardando, imóvel.

— A fera abençoou o lar com sua cólera noturna.

Os passos de Carnelo estancaram. Ele lançou um olhar frio por cima do ombro e declarou:

— Não tenho nada para falar com você.

— Você pode não ter, mas eu tenho algo a lhe dizer — retrucou Ricardo.

— Não estou com paciência para seus sermões de moral.

Após dizer isso.

Ele retomou a subida, ignorando-o.

Ricardo avançou a passos largos e agarrou o ombro do homem. Antes que pudesse abrir a boca, Carnelo virou-se num solavanco e desferiu um soco direto em seu rosto.

Pego desprevenido pelo golpe avassalador, Ricardo cambaleou dois passos para trás. O gosto metálico de sangue inundou sua boca na mesma hora. Ele pressionou a língua contra a parte interna da bochecha, ergueu a mão para limpar o canto dos lábios e cravou os olhos em Carnelo, que o fuzilava com uma fúria incandescente.

— Então é isso? Vai descontar toda a sua frustração com Rodrigo em mim?

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