Florença terminou de comer o bolo e disse com voz tranquila: — É verdade que o seu irmão não me causou nenhum mal físico. Mas eu não me lembro de nada, o que provavelmente é obra dele.
Priscila ficou em silêncio, apenas concordando tacitamente.
— Apenas tenho a curiosidade de saber o porquê de ele me manter presa aqui, me fazendo perder a memória.
Ao ouvir isso, Priscila perguntou surpresa: — O Sr. Lopes não conversou com você sobre isso?
— Ele disse que eu entenderia no dia em que me lembrasse de tudo — respondeu Florença.
Estando sem nenhuma memória, seria improvável conseguir explicar os detalhes com clareza em pouco tempo, e ela dificilmente compreenderia o quadro geral.
Sua incerteza de quanto tempo ainda ficaria lá provocava um pânico indescritível em seu peito. Constantemente, sonhava com uma linda menininha, desejando intensamente vê-la e abraçá-la com todo o seu ser.
Priscila apertou os lábios, expressando suas desculpas: — Eu também não saberia por onde começar a lhe explicar, Srta. Lourenço.
Florença suspirou. De qualquer modo, o Professor afirmara que não passariam muito mais tempo ali.
E, assim que deixassem o lugar, ela acabaria se recordando e compreendendo tudo. Optou por não aprofundar as perguntas.
O silêncio reinou enquanto Florença esvaziava o prato de bolo. O seu apetite estava muito bom recentemente.
Priscila a observava em silêncio. Havia acabado de saber pelos funcionários que Florença estava grávida, e, olhando com atenção, já se podia notar os primeiros sinais.
A criança deveria ser de Carnelo, não é mesmo?
Se fosse de Rodrigo, ele jamais agiria com tanta frieza contida perto dela.
O curioso é que Carnelo aparentemente ainda desconhecia o fato.
Ela não se aprofundou nas razões subjacentes àquilo.
— Gostaria de dar um passeio lá fora? — sugeriu Priscila.
Florença não recusou e acenou positivamente.
Desceram ao térreo.
Rodrigo estava sentado na sala de estar, lendo um jornal para passar o tempo.
Todos os sinais estavam cortados naquele lugar, impossibilitando a conexão à internet. Um encarregado trazia diariamente os jornais com as últimas manchetes, mas nenhuma das notícias sequer mencionava a situação da família Castellani.
Quando Florença acordava, ele a acompanhava para caminhar pela propriedade. Quando dormia, Rodrigo voltava a ler seus jornais ou fazia exercícios físicos.
— Em que está pensando, Priscila? — indagou Florença.
Despertando de seus devaneios, Priscila olhou para Florença; Rodrigo também a observava. Com um sorriso, respondeu: — Em nada importante.
Pegou um cesto de bambu e caminhou em direção a Florença.
A colheita durou cerca de meia hora.
Rodrigo tomou o cesto de bambu das mãos de Florença, olhou para Priscila e ofereceu: — Quer me entregar o seu também?
O coração de Priscila deu um salto, e ela respondeu às pressas: — Posso carregar eu mesma.
Rodrigo murmurou em concordância e não falou mais nada.
Priscila segurou firmemente o cesto de bambu, de olhos baixos, enquanto Florença percebia as sutis mudanças de emoção no rosto dela.
Deixando o Jardim dos Mirtilos,
os três refizeram o caminho de volta.
Florença e Priscila caminhavam na frente, seguidas de perto por Rodrigo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Coração Refeito: A Trajetória de Uma Hérói
Quando vai ser liberado o restante, do livro...
Continua depois do 1121, como faço para acabar de ler?...
Quantos capítulos tem o romance?...
Cadê os 5 chaps Day????...
Quando será liberado os capítulos...
Quando será liberado novos capítulos????? Me responda por favor...
Quando teremos novos capítulos?...
quando serão publicados novos capítulos?...
Adoro...