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Coração Refeito: A Trajetória de Uma Hérói romance Capítulo 1135

Florença terminou de comer o bolo e disse com voz tranquila: — É verdade que o seu irmão não me causou nenhum mal físico. Mas eu não me lembro de nada, o que provavelmente é obra dele.

Priscila ficou em silêncio, apenas concordando tacitamente.

— Apenas tenho a curiosidade de saber o porquê de ele me manter presa aqui, me fazendo perder a memória.

Ao ouvir isso, Priscila perguntou surpresa: — O Sr. Lopes não conversou com você sobre isso?

— Ele disse que eu entenderia no dia em que me lembrasse de tudo — respondeu Florença.

Estando sem nenhuma memória, seria improvável conseguir explicar os detalhes com clareza em pouco tempo, e ela dificilmente compreenderia o quadro geral.

Sua incerteza de quanto tempo ainda ficaria lá provocava um pânico indescritível em seu peito. Constantemente, sonhava com uma linda menininha, desejando intensamente vê-la e abraçá-la com todo o seu ser.

Priscila apertou os lábios, expressando suas desculpas: — Eu também não saberia por onde começar a lhe explicar, Srta. Lourenço.

Florença suspirou. De qualquer modo, o Professor afirmara que não passariam muito mais tempo ali.

E, assim que deixassem o lugar, ela acabaria se recordando e compreendendo tudo. Optou por não aprofundar as perguntas.

O silêncio reinou enquanto Florença esvaziava o prato de bolo. O seu apetite estava muito bom recentemente.

Priscila a observava em silêncio. Havia acabado de saber pelos funcionários que Florença estava grávida, e, olhando com atenção, já se podia notar os primeiros sinais.

A criança deveria ser de Carnelo, não é mesmo?

Se fosse de Rodrigo, ele jamais agiria com tanta frieza contida perto dela.

O curioso é que Carnelo aparentemente ainda desconhecia o fato.

Ela não se aprofundou nas razões subjacentes àquilo.

— Gostaria de dar um passeio lá fora? — sugeriu Priscila.

Florença não recusou e acenou positivamente.

Desceram ao térreo.

Rodrigo estava sentado na sala de estar, lendo um jornal para passar o tempo.

Todos os sinais estavam cortados naquele lugar, impossibilitando a conexão à internet. Um encarregado trazia diariamente os jornais com as últimas manchetes, mas nenhuma das notícias sequer mencionava a situação da família Castellani.

Quando Florença acordava, ele a acompanhava para caminhar pela propriedade. Quando dormia, Rodrigo voltava a ler seus jornais ou fazia exercícios físicos.

— Em que está pensando, Priscila? — indagou Florença.

Despertando de seus devaneios, Priscila olhou para Florença; Rodrigo também a observava. Com um sorriso, respondeu: — Em nada importante.

Pegou um cesto de bambu e caminhou em direção a Florença.

A colheita durou cerca de meia hora.

Rodrigo tomou o cesto de bambu das mãos de Florença, olhou para Priscila e ofereceu: — Quer me entregar o seu também?

O coração de Priscila deu um salto, e ela respondeu às pressas: — Posso carregar eu mesma.

Rodrigo murmurou em concordância e não falou mais nada.

Priscila segurou firmemente o cesto de bambu, de olhos baixos, enquanto Florença percebia as sutis mudanças de emoção no rosto dela.

Deixando o Jardim dos Mirtilos,

os três refizeram o caminho de volta.

Florença e Priscila caminhavam na frente, seguidas de perto por Rodrigo.

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