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Coração Refeito: A Trajetória de Uma Hérói romance Capítulo 1176

Ainda assim, Florença percebia que Renata estava omitindo detalhes importantes. As circunstâncias do seu casamento com Carnelo e outros eventos entre os dois continuavam nebulosos. Afinal, se o relacionamento deles fosse tão maravilhoso assim, por que ela esconderia a gravidez do marido?

Percebendo que a mãe tentava constantemente desviar o assunto para o bebê, Florença preferiu não insistir.

Investigar aquilo agora não a levaria a nada; o que realmente importava era o filho em seu ventre. Ela precisava se concentrar na sua saúde e em ter o bebê em paz.

Pouco depois, Leandro subiu e conversou um pouco com a filha. Exceto pelo apagão em sua memória, ela parecia absolutamente normal.

Nesse exato instante.

Uma das babás surgiu para avisar que Carnelo havia sido arranhado pelos gatos.

Renata estranhou e perguntou:

— Mas eles não estavam trancados no quarto?

A babá explicou prontamente:

— O Sr. Marques foi até lá para brincar com eles.

Renata franziu as sobrancelhas, notando que Ricardo não estava com ele.

Florença tomou a iniciativa:

— Eu vou lá ver.

Renata concordou e acrescentou:

— Foram os gatinhos que você trouxe de Arara Azul. Vá mesmo, eles com certeza devem estar com saudades.

Florença atendeu de imediato:

— Está bem.

Ela se levantou e deixou o quarto.

Sozinha com o marido, Renata quis saber e foi direto ao ponto:

— Subiu tão rápido por quê? O Carnelo não quis falar nada com você?

Ele tinha ido pessoalmente entregar os presentes; era, no mínimo, uma declaração de intenções.

Leandro informou a decisão:

— Ele disse que, após o nascimento do bebê, quer organizar a cerimônia de casamento. Disse que estamos livres para impor as condições que quisermos.

A amargura na voz do marido não passou despercebida por Renata.

— Com a situação que temos hoje, se ele fizer essa cerimônia, será o melhor para ela. Não vale a pena ficar revirando o passado. O que conta agora é a postura dele daqui para a frente. Você deveria ser um pouco mais flexível.

Sem querer prolongar o assunto, Leandro respondeu a contragosto:

— Eu já entendi.

Ao terminar o curativo, Florença ergueu o rosto. Imediatamente, seu olhar cruzou com o profundo mar negro dos olhos dele — havia um turbilhão ali que ameaçava sugá-la.

Ela hesitou por um segundo.

Lentamente, a mão do homem encontrou o rosto dela e acariciou sua bochecha. Ele sussurrou suavemente:

— Eu sou tão bonito assim para você ficar me encarando?

Despertando sobressaltada, Florença virou a cara de lado, rebatendo com irritação:

— Por acaso eu disse que você é bonito?

Ele provocou novamente:

— A sua boca não disse nada, mas os seus olhos gritaram.

Ela o fuzilou novamente, retorquindo cheia de si:

— Se eu fosse você, procuraria um psiquiatra. Desde quando olhos falam?

O riso dele era genuíno. A amnésia podia ter roubado as memórias dela, mas a língua continuava afiada. No fundo, ela ainda era a mesma mulher intempestiva de sempre.

Ele encerrou o assunto sem perder o tom provocativo:

— Tudo bem. Olhos não falam.

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