Os pais de Susana não eram exceção. Ela contou toda a sua história.
— Meus pais também não fugiram à regra. Eu sou a filha mais velha e, depois de mim, vieram duas irmãs e um irmão caçula.
— Tive um pouco mais de sorte porque consegui entrar em um projeto social do governo e pude continuar estudando.
— Embora eu tivesse que caminhar uma ou duas horas por estrada de terra para chegar à escola, eu aguentei firme durante todos aqueles anos e, por fim, consegui sair do interior.
— Estudei graças a doações e financiamento estudantil, saí da minha terra natal, mas continuei vivendo de forma muito humilde.
— Naqueles anos, minha família e as pessoas do povoado riram de mim inúmeras vezes.
— Já as minhas duas irmãs não tiveram a mesma sorte. Elas cresceram ouvindo que estudar não servia para nada no caso de mulher e, ao verem que eu tinha saído do interior só para viver de ajuda e empréstimos, sem uma vida glamourosa, acabaram desistindo.
— Elas simplesmente largaram os estudos. Meus pais arranjaram casamento para elas muito cedo, cobrando o que na aldeia parecia um grande dote, mas que, na prática, era só uma vaca ou dois porcos. E assim elas foram entregues.
— Depois disso, só repetiram a vida de pobreza e acomodação dos nossos pais, sem nenhuma perspectiva de melhorar.
— Já eu consegui me formar. Como sou uma profissional altamente qualificada, logo encontrei um bom emprego.
— Comecei a ganhar dinheiro, e meu salário foi aumentando. Quitei meu financiamento estudantil, mas cometi um erro. Fiquei com pena da minha família e, num feriado de fim de ano, não aguentei vê-los vivendo daquele jeito. Acabei arrumando dinheiro para reformar a casa deles.
— Também consegui emprego na cidade para as minhas irmãs e os maridos delas. Mesmo que fosse para trabalhar em linha de produção de fábrica, ainda era melhor do que ficar no povoado, e assim eles teriam a chance de dar uma vida melhor para a próxima geração.
— Além disso, mandei dinheiro para que o meu irmão caçula pudesse estudar.
— Talvez tenha sido por isso que a minha família percebeu o quanto eu podia render.
— A partir dali, em vez de tentarem mudar de vida, decidiram sugar tudo o que podiam de mim.
— O que mais me surpreendeu foi que, se fossem só meus pais e meu irmão, eu até entenderia. Mas as minhas duas irmãs, que passaram pelas mesmas dificuldades que eu, fizeram exatamente a mesma coisa.
— Elas queriam que eu construísse casa para elas, sustentasse os filhos delas e pagasse todas as despesas delas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da prisão ao Topo: A Era dela na TI
Por favor. Poderiam desbloquear os capítulos gratuitos?Desde o dia 02/06...
Não terá atualização do capítulos gratuitos?...