Allan desviou do sapato arremessado, correu para pegá-lo e ajudou o pai a calçá-lo de novo.
— Pai, estamos numa delegacia. O que o senhor tiver para dizer, a gente conversa em casa.
— Aqui não é lugar para isso.
Tomas sabia perfeitamente que aquele não era um bom lugar para fazer escândalo e, engolindo o orgulho, seguiu os dois filhos até a saída.
Mas, assim que entrou no carro, continuou resmungando e praguejando sem parar.
— Quatro dias... Vocês deixaram o pai de vocês apodrecer lá dentro por quatro dias! Têm noção do que é ficar preso numa cela?
Nem Allan nem Ronaldo disseram nada.
Tomas continuou disparando:
— Quatro dias, quatro malditos dias inteiros! Para que vocês servem? Como deixaram isso acontecer? Eu sou o presidente do grupo, e vocês me largaram numa delegacia por quatro dias!
— Maldição! Vocês não prestam! Eu sou pai de vocês, e é assim que me tratam?
— E aquela desgraçada da Pâmela! Como teve a ousadia de me mandar prender? Uma insolente que não respeita nada nem ninguém!
— Pai, fala menos, por favor. Toda vez que o senhor abre a boca, o carro inteiro fica empestado. O senhor não tomou banho nem escovou os dentes nesses dias lá dentro?
Ronaldo simplesmente não aguentava mais o cheiro.
Tomas, que já fervia de raiva, explodiu de vez.
— O quê? Agora estão com nojo de mim? Eu sou o seu pai! E daí que eu não me lavei? Vai deixar de me reconhecer como pai por causa disso?
O coração de Tomas era pura indignação.
Allan lançou um olhar fulminante para Ronaldo, mandando-o calar a boca.
Quanto mais retrucassem, mais o velho ficaria contrariado.
Não adiantava nada jogar lenha na fogueira.
Tomas queria ter ido ver Natália imediatamente, mas pensou melhor: se o cheiro que exalava já era insuportável para o próprio filho, imagine para as outras pessoas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da prisão ao Topo: A Era dela na TI
Por favor. Poderiam desbloquear os capítulos gratuitos?Desde o dia 02/06...
Não terá atualização do capítulos gratuitos?...