Allan correu para pegar o kit de primeiros socorros da empresa e começou a cuidar do ferimento de Ronaldo.
Ao ver o sangue de Ronaldo manchando a própria roupa, Tomás recobrou um pouco da lucidez e sentiu um arrepio de medo.
Se algo mais sério acontecesse, ele estaria em apuros.
Enquanto limpava o ferimento e fazia o curativo no irmão, Allan lançava olhares frequentes para Tomás, com os olhos cheios de ressentimento.
— Ele está tão enfeitiçado por aquelas duas cobras manipuladoras que teve coragem de bater no próprio filho.
O coração de Ronaldo também ardia de raiva, e a dor na testa era intensa.
Embora não fosse um ferimento grave, a dor era aguda e latejante.
— E daí que eu sou filho? A própria filha foi expulsa de casa. Allan, você já percebeu, não percebeu? Ele transferiu as ações para as duas faz tempo. E nós? Não temos absolutamente nada.
A gente se mata pela empresa todos os dias e, no fim, não é valorizado por ninguém.
No momento mais crítico para a nossa sobrevivência, ele não está nem aí para a empresa; só se importa com o romancezinho dele.
Se eu soubesse, teria brigado até o fim para impedir aquela mulher de entrar na nossa família.
Mesmo que a nossa mãe não estivesse em seu juízo perfeito, ela ainda deveria ter ocupado o lugar de Sra. Castro pelo resto da vida.
Allan suspirou:
— Não adianta dizer isso agora. Temos que dar um jeito de salvar o dinheiro que ainda nos resta.
Quando chegar segunda-feira, ganhando ou perdendo, precisamos vender as ações e sair fora.
Ronaldo rebateu:
— Compramos tantas ações... se a gente abandonar agora, o que vai acontecer com o Grupo Castro? Allan, a situação não pode chegar ao ponto de falência, pode?
Sentado não muito longe dali, Tomás já não suportava mais ouvir aquilo.
— Vocês estão torcendo para a empresa quebrar? É só isso que sai da boca de vocês. Ainda não falaram o suficiente?
Os dois irmãos se calaram na mesma hora, afinal, continuar naquele discurso não ajudava em nada.
Na situação em que estamos, se ele decidir protegê-la até o fim, vai assinar a sentença de morte da empresa.
Allan, você sabe que eu peguei dinheiro emprestado para investir.
Se na segunda-feira nosso dinheiro ficar todo preso, o que vai ser da gente?
O pânico de Allan não era menor. Como poderia ser?
Ele ainda não tinha devolvido o dinheiro que pegara emprestado de Sandro, um dinheiro que nem sequer tinha tocado.
Mas, ao ver a oportunidade de lucro fácil diante dos seus olhos, tinha usado tudo sem pensar duas vezes.
Agora, aquela quantia astronômica estava completamente presa nas ações da empresa.
Ele também queria saber: na situação atual, o que deveria fazer?
Só de pensar nisso, sentia um nó no estômago.
— Vamos voltar para casa. Não dá para deixar isso barato. A Natália devia saber que, no momento em que decidiu armar contra a Pâmela, um dia teria que pagar o preço.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da prisão ao Topo: A Era dela na TI
Por favor. Poderiam desbloquear os capítulos gratuitos?Desde o dia 02/06...
Não terá atualização do capítulos gratuitos?...