Lilly
Depois de dançar exaustivamente ontem e ter um encontro completamente estranho com Aaron, acabei dormindo como uma pedra. Levanto-me e desço para o café da manhã, mas confesso que não estava pronta para encarar nenhum deles, principalmente Adam e Aiden. Tanto o beijo de Adam quanto as palavras de Aiden martelavam em minha cabeça.
Então, eu nunca poderia escolher nada porque seria obrigada a conviver com as regras dos quatro, Isso me incomodava muito.
Sento-me à mesa, e os olhos de todos se voltam para mim. Tento manter minha compostura e tomar meu café da manhã como se a existência deles e minha vida não dependessem de cada um ali.
— Bom dia, Lily. — Aiden diz, com seus olhos cortantes, enquanto toma seu café.
Fico em silêncio e não respondo nada, apenas continuo passando geleia na minha torrada. Olho de relance e vejo os quatro se encarando, como se estivessem conversando pelo olhar.
— Você não vai responder? Ok. — Aiden lança um olhar para Aaron, que fixa os olhos em mim.
— Sabe, no Líbano, quando os presos eram malcriados ou não faziam o que queríamos, nós os prendíamos e os torturávamos até aprenderem a respeitar quem manda.
Tento controlar minha respiração e permaneço em silêncio, comendo minha torrada.
"Eles não fariam nada comigo... não seriam loucos."
— Para que tortura? Podemos mantê-la na cela ali embaixo, no porão, sem comida e sem água. No mínimo três dias e ela já estaria calma. — Adam responde, e vejo Aaron e Aiden sorrirem de um jeito que nunca tinha visto antes.
— Você está sendo muito bonzinho, Adam. Acho que alguém amoleceu seu coração. — Aiden comenta.
— Lilly! — Ouço pela primeira vez a voz de Austin naquela manhã. Ele me olha como se fosse um sinal para que eu conversasse com eles. Solto um suspiro abafado e coloco meus talheres na mesa.
— O que vocês querem que eu diga? Que vocês quatro são um bando de loucos lunáticos ou um bando de loucos que foram criados por um doido? Só por curiosidade: o pai de vocês os educou na base do chicote?
— Não, ele nos acorrentava no porão ou nos deixava no frio sem roupa. — Adam responde enquanto corta um pedaço de bolo.
"Mas que merda de família era essa?"
Olho para eles, atônita. Não esperava essa resposta.
— Vocês me queriam aqui e conseguiram. Só não me peçam para gostar de vocês. — Digo, deixando os oito pares de olhos me acompanharem enquanto saio da sala de jantar.
O caminho até a faculdade foi silencioso. Saí do carro o mais rápido possível, deixando Adam e Austin para trás, e procurei por Iza no corredor, mas não a encontrei em lugar nenhum. Minha atenção foi desviada quando vi Josh ao longe.
Fechei meu armário rapidamente e corri atrás dele.
— Josh! — Grito, e ele se vira na minha direção.
— Tudo bem? Não vi você durante a semana. Eu queria pedir desculpas por aquele dia.
— Você não tem que se desculpar, Lilly. Eu entendo. Fiquei sabendo que você está morando na casa do Austin. — Ele fala em tom neutro.
— Ah... — Digo, concordando.
— Por que sumiu durante a semana?
— Bom, meu pai é prefeito da cidade, então ele viaja muito a negócios. Esta semana, ele resolveu me levar.
— Entendi. — Digo, olhando para seus olhos castanhos.
Josh mexe em sua bolsa e tira um pequeno urso de pelúcia com roupa de bailarina. Olho para ele sem entender.
— Lembrei de você quando vi, então comprei. — Ele diz com um sorriso lindo. Pego o ursinho e fico analisando por um tempo. Foi o primeiro presente que recebi de alguém.
— Obrigada, foi a primeira vez que ganhei um presente. — Digo, e ele abre um sorriso ainda maior.
Despedi-me de Josh e caminhei até minha aula. Passei o dia todo sozinha, já que Iza não apareceu.



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