Lilly
As palavras de Aaron me atingem em cheio. Vejo em seus olhos a culpa de algo que ele não teve como evitar. Não sei se era o álcool que estava fazendo seu efeito, mas percebo um deslumbre nos seus olhos marejados.
Finalmente agora eu sei a quem pertencia a sombra da janela do segundo andar. Em todos os meus ensaios noturnos, ele estava lá. Muitas vezes pensei que fosse Aiden, vigiando, com medo de fugir pela noite.
Mas era apenas Aaron. Não gostei em saber que ele carregava tanta dor e culpa em seu coração. Eu o julguei mal. Me lembro do dia em que ele invadiu meu ensaio e pediu para dançar para ele. Mal eu sabia que o assunto que queria conversar era o seu motivo de dor por tantos anos.
Aaron levanta em direção à lareira e tira um papel de seu bolso. Tento identificar e percebo que é a foto em suas mãos. Ele j**a bebida em cima do papel e o lança dentro do fogo.
— Aaron, não. Por que fez isso? — grito, indo atrás dele em direção à lareira, mas ele me para.
— Não quero ficar preso ao passado, o resto da vida. Eu amei Marri, mas está na hora de enterrar o passado de uma vez por todas — ele diz e coloca uma pequena mecha do meu cabelo atrás da orelha. Depois, me dá um leve beijo na testa e se senta ao lado de Adam e Austin.
Fico parada, olhando o fogo consumir tudo rapidamente. Olho para o sofá e me sento novamente na poltrona, encarando os quatro.
— Eu nunca tive nenhum relacionamento amoroso com Susana! — Aiden diz de supetão, chamando nossa atenção.
— Eu a conheço bem antes de você ter entrado na minha vida. Sempre deixei claro para ela que tudo não passava de sexo, mas ela acabou misturando as coisas. — Sua declaração me deixa envergonhada. Como poderia ficar brava por situações que eles já viveram antes de mim? Eles eram mais velhos, tinham vivido muito mais do que eu.
— Desde que você mudou para essa casa, eu não tenho contato com nenhuma mulher além de você. E não tenho interesse em me relacionar com mais ninguém a não ser você, Lilly.
— Como você conheceu ela? — Pergunto a ele, vendo a sobrancelha de Adam se arquear, o que me deixa ainda mais intrigada.
— Você quer saber realmente toda a verdade?
— Sim, sem mais segredos. Não quero que me escondam mais nada!
— Conheci ela quando tinha 22 anos e tinha acabado de me formar na faculdade. Ela era uma prostituta que sempre frequentava a boate de nossa família — ele diz sem ao menos pestanejar, e sinto minhas bochechas corarem.
— Eu era jovem e imaturo, e nem sabia da sua existência. Era só sexo, Lilly. Você apareceu três anos depois. — Olho para Adam, que permanece em silêncio o tempo todo.
— E você? Vai aparecer alguma mulher saindo de dentro do armário implorando pelo seu amor também? — Pergunto a Adam.
— Não, você é a única que ocupa esse lugar e sempre vai ocupar!
— Vocês já me conheciam antes de tudo isso?
— Sim! — Adam responde.
— Eu te conheci um ano antes!
— Como?

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