Lilly
O dia passou rapidamente e logo chegou o momento do meu primeiro dia de detenção. Ao chegar ao escritório, vejo a senhorita Dafhine sentada à sua mesa, trabalhando.
Ela logo liga para Adam, que pede para entrar em sua sala.
— Boa tarde, bebê! — ele diz de forma séria, enquanto digita em seu computador.
— Seu trabalho, tecnicamente, será auxiliar Dafhine no que ela precisar. Hoje, ela vai te ensinar algumas coisas que você precisa saber.
Assim que saio do escritório de Adam, Dafhine me avisa que ele é extremamente organizado e exigente com tudo. Ela menciona que, ali, não lidam apenas com assuntos da escola, mas também com questões do escritório. Devemos sempre estar atentos a tudo.
Minha primeira tarefa é organizar as fichas dos alunos em pastas separadas, tudo por turma e em ordem alfabética. Estou concentrada em arrumar as pastas quando o telefone toca. Dafhine atende animada, mas sua voz perde o encanto.
— Venha, Miller! Vou te ensinar a fazer o café do senhor Fox!
— Café? Ele não faz o próprio café? — pergunto, e Dafhine abre um sorriso.
— Bom, esse é um dos deveres de uma secretária: preparar o café. A família Fox deve gostar muito de você! — ela exclama, enquanto me ensina a fazer a xícara perfeita de café para Adam: um expresso duplo, extra forte, sem açúcar.
Pego a pequena xícara e Dafhine me acompanha até a sala de Adam. Coloco o café timidamente sobre a mesa e vejo Dafhine pegar os papéis que Adam já havia assinado, colocando-os em pastas e preparando outros documentos para enviar ao escritório. Não consigo deixar de notar o jeito sedutor com o qual ela se debruça sobre ele. Uma ponta de ciúmes aperta meu peito.
Logo, ela pega as pastas e começa a sair da sala. Faço o mesmo, indo em direção à porta, quando Adam me chama e pede para fechar a porta.
Caminho até ele, que continua olhando para a tela do computador, tomando sua xícara de café.
— Então, bebê, o que está achando do seu primeiro dia como assistente?
— Não me chame de bebê. Me chamo Lilly. Talvez você devesse perguntar à Dafhine, já que ela é realmente sua assistente, não eu.
Adam para o que estava fazendo e me observa com um olhar estranho. Arruma a xícara sobre o pires e pede para eu organizar alguns papéis na mesa dele. Logo depois, ele se dirige até a janela, abre uma gaveta, tira um maço de cigarros e acende um. Ele traga a nicotina e solta a fumaça lentamente. Não sabia que ele tinha esse vício.
— No final do próximo mês vai ter o nosso baile de outono. Estava pensando em deixar a organização nas suas mãos, já que agora você é uma das minhas assistentes. — ele diz, apoiado no batente da janela. O fato de eu tê-lo repreendido minutos atrás parece não ter feito a menor diferença.
— Eu nunca planejei nenhum baile! — falo, enquanto termino de organizar os papéis.
— Você não terá que fazer tudo sozinha. Pode escolher quem quiser para te ajudar. — ele apaga o cigarro no cinzeiro e volta para sua mesa.
— Você está brava porque te coloquei de detenção? Achei que talvez você gostasse um pouco da minha companhia, mas imagino que ela não seja tão agradável quanto a do Austin.
Deixo os papéis de lado e fixo meu olhar nos olhos dele, que parecem longe de estarem alegres.
— Eu não estou brava pela detenção, e sim porque Sofia acha que eu queria roubar tudo o que é dela. O teste da peça foi coletivo, como eu poderia roubá-la? — minha expressão de raiva é clara. Aperto os punhos com força e Adam sorri.
— De que você está rindo? — pergunto, colocando as mãos na cintura.
— Você, parecendo uma bela gatinha indefesa, mas na verdade é uma tigresa pronta para dar o bote.
— Vai à merda, Adam Fox! — tento manter a seriedade, mas não consigo evitar um sorriso.
— Olha a boca, mocinha. Não se esqueça que sou seu diretor. Eu posso te dar mais um mês de detenção ao meu lado.
— E você nem ficaria triste com isso, né, senhor diretor? — digo, caminhando em direção à porta.
Quando volto para o escritório de Dafhine, logo terminamos os papéis em que estávamos trabalhando. Ela pede para eu organizar a lista de alunos que pediram permissão para dirigir e me surge uma ideia: aproveito para fazer minha própria ficha também, assim não precisarei depender de ninguém para resolver minhas coisas.
Quando o dia finalmente termina, subo para meu quarto, me arrumo para o jantar e coloco um short jeans e uma camiseta branca simples. Desço descalça pela escada e ouço risos vindo da sala de jantar, o que já estava se tornando algo normal para mim.

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