Lilly
Fecho a porta atrás de mim e olho para mamãe, que está sentada em seu lugar, parecendo aflita; alguma coisa não estava certa e hoje eu iria descobrir tudo.
— Mamãe?
— Sente-se, querida, precisamos conversar!
"Sim, realmente precisávamos, porque o homem que saiu agora era a réplica do homem que vi mais cedo."
— Lilly, você já está começando a se tornar adulta e entende muitas coisas, então vou ser sincera com você o máximo possível.
Suas palavras começam a me deixar mais atordoada.
— O Senhor Fox não quer mais você aqui!
— Se não, onde iremos morar?
Mamãe fica em silêncio, como se estivesse tomando coragem para dizer o que estava por vir.
— Não, querida, apenas você irá se mudar.
— Se for para sair daquela escola de riquinhos, por favor me diga aonde eu devo ir.
— Para a casa dele, ele quer marcar o casamento de vocês!
Ela fala instantaneamente, do mesmo jeito que o esparadrapo é retirado de um machucado.
— Ele quer marcar o casamento? Você também irá certo? Pergunto a ela, já sentindo o pavor tomar conta de mim.
— Não, querida, ele apenas quer você. Eu não irei junto.
— Não, eu não vou morar com um homem que não conheço. Muito menos me casar com ele ! Digo finalmente me posicionando pela primeira vez.
— Lilly, nós não temos escolha, querida. Estamos de mãos atadas, se você não for ele pode fazer algo contra nós querida. Mamãe diz tentando me consolar.
Levanto-me do sofá e começo a andar em círculos. Isso não podia estar acontecendo; Eu sabia que isso algo dia iria acontecer, mas não sabia que me afetaria tão fácil.
— Vamos embora! Podemos ir para outra cidade, trocar de nomes. Mamãe, por favor, não me deixe ir, eu não quero me casar com ele.
Ajoelho-me no chão em lágrimas, implorando para mamãe não me deixar ir. Por quê? Por que meu pai tinha que me dar em troca de uma dívida? O que seria de mim dentro daquela casa junto daquele homem.
— Sinto muito, querida! Mamãe me abraça e faz carinho em meus cabelos. Tento não chorar mais, mas as lágrimas insistem em cair sem que eu queira não queria deixar mamãe mais triste do que estava.
Vou para o meu quarto e faço tudo no piloto automático, como se tudo ao meu redor estivesse em câmera lenta. Visto meu pijama e me deito, passando um bom tempo olhando para o teto do meu quarto, até que finalmente acho uma decisão no final do túnel: o grande problema sou eu. Então, a única solução que me restava era fugir para bem longe, Senhor Fox não faria nada comigo e nem com mamãe se não pudesse me achar.
Não tenho muitas economias guardadas, mas posso pagar a passagem para qualquer cidade mais longe possível; até a rua seria melhor do que morar com aquele homem que assassinou meu pai
Decidida de minha decisão, levanto-me, visto um jeans junto com uma blusa regata, coloco meu moletom por cima, amarro meus cabelos em um rabo de cavalo e calço meus tênis. Olho para o relógio do criado-mudo e ainda são onze e meia; o último metrô para a rodoviária sai em meia hora, então terei que me apressar.
Abro a porta do meu quarto lentamente. Mamãe está deitada no sofá, dormindo enquanto passa um filme na TV. Meu coração aperta um pouco por ter que deixá-la assim. Mais essa era a única alternativa para que eu consiga ter minha liberdade e viver minha vida.
Destranco a porta e, ao invés de ir pelo elevador, desço as escadas da saída de incêndio. Oito andares depois, estou na recepção; o vigia noturno está distraído enquanto olha para as câmeras. Puxo meu capuz e espero o melhor momento para sair discretamente. Com muito custo, saio para fora.


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