LILLY
O dia de hoje estava maravilhoso, com o sol brilhando logo pela manhã, bem cedinho. Como estava animada e não poderia sair de casa por enquanto, mandei uma mensagem para Luiza convidando-a para passar o dia comigo. Assim, aproveitaríamos para organizar as coisas do chá de bebê e agora do meu casamento. Desci as escadas vestindo um vestido branco de verão com alças finas. Aiden e Austin tinham ido para a empresa e Adam para a editora. Aaron, como comandava toda a área de segurança, não precisava sair tanto quanto os outros, pois conseguia fazer seu trabalho remoto. Praticamente, ele saia de casa duas vezes por semana para saber como andava o treinamento e para ver algumas questões de logística de seus homens. Assim, de todos, era ele quem passaria mais tempo comigo.
Fui para o jardim para dar os últimos arranjos na mesa que preparei para Luiza. Olhei em volta de nossa casa e vi que os meninos aumentaram o número de seguranças. Sei que eles estavam preocupados e queriam me proteger; porém, isso me incomodava porque não me sentia à vontade em nossa própria casa. Mas como Aaron estaria aqui, isso seria mais fácil de aprender a lidar e, em qualquer problema, ele poderia resolver.
Luiza chegou alguns minutos depois, acompanhada de mais dois seguranças que provavelmente Hector tinha mandado para protegê-la. Eu a abracei e nós sentamos à mesa para tomarmos nosso café da manhã das meninas.
— E aí, como anda o bebê mafioso? — Eu perguntei a ela, referindo-me ao meu sobrinho ou sobrinha.
— Bom, tirando os enjôos matinais, está tudo bem. Ainda não consegui ver o sexo. — Ela falou enquanto enchia a boca de pão. Olhei para Luiza e ela parecia tão radiante com sua gravidez. Será que quando chegasse a minha vez eu estaria assim também?
— Como você fez para se acostumar com tudo isso? Não gosto desses homens andando aqui dentro. — Perguntei a ela, e meu olhar se encontrou rapidamente com um dos seguranças, e eu acabei desviando. Só a ideia de ter alguém atrás de mim em todos os lugares parecia irritante.
— Ah, com o tempo você acaba acostumando. Às vezes até esqueço que eles estão à minha volta. Eles são para proteção, mas têm mais medo do que Hector pode fazer com eles do que de qualquer outra ameaça. — Ela falou, sem ligar muito, e percebi que, assim como meus homens, Hector também era extremamente possessivo em relação a Luiza.
Como o dia estava ensolarado, aproveitamos para entrar na piscina. Emprestei para Luiza um conjunto de biquíni azul e eu optei por um preto. Ela estava sentada na borda da piscina enquanto eu estava na parte do raso, sentada na escada. Olhei para cima, em direção aos quartos, e vi Aaron atrás da janela nos observando, ou praticamente observando os seguranças ao invés de nós duas.
— Então, futura senhora Fox, já sabe quando vai ser o casamento? — Ela me perguntou, toda sorridente.
— Bom, ainda não temos uma data prevista, mas acho que em poucos meses. Eu não quero fazer um grande evento, quero algo bem reservado.
— Entendo, meu casamento também não teve muita gente. E isso me lembra que, já que você não foi a madrinha do meu casamento, Miller, é sua obrigação ser madrinha desse bebê! — Luiza falou, apontando para sua barriga, e fui até sua direção, acariciando sua barriga que ainda estava pequena.
— Eu prometo que serei a melhor tia do mundo, Iza, e que mimarei essa criança bastante com presentes e doces. — Digo a ela, rindo, e recebo um banho de água em meu rosto.
— Senhoras, desculpe incomodá-las, mas o Senhor Hector disse para você voltar para casa! — Um dos seguranças disse a Luiza, de cabeça baixa, sem ao menos olhar em nossa direção.
— Você realmente precisa ir? — Perguntei a ela, não fazia nem duas horas que estávamos juntas.
— Sim, Hector não gosta que eu fique muito tempo longe! — Ela falou, em meio ao sorriso. Mesmo ainda sendo amigas, sinto uma pequena distância de Luiza. Sei que provavelmente ainda está chateada, mas eu farei o possível para reconquistar sua confiança.
— Entendo, poderemos marcar outro dia para acertarmos as coisas em relação ao chá de bebê. — Acompanhei-a até a porta e fui para a cozinha pegar algumas frutas e aproveitar para tomar um sol. Me deitei na espreguiçadeira e coloquei meus óculos de sol.
— Está aproveitando o dia, pirralha? — A voz de Aaron soou vindo atrás de mim. Ergui minha cabeça e logo recebi um beijo demorado.
— Bom, não tenho muito o que fazer aqui dentro dessa casa. Adam, literalmente, não quer mais nem me levar para a editora. — Digo para Aaron, um pouco frustrada.
— Princesa, você sabe que apenas estamos preocupados com sua segurança. Não queremos que nada aconteça com você. Tudo isso é passageiro; eu prometo que é só até conseguirmos acabar com aquele cretino. — Ele fala em uma tentativa de me acalmar. Vou em sua direção, sento em seu colo na espreguiçadeira em frente à minha.
— Amor, você realmente acha que, depois que Viktor morrer, nossos problemas acabarão? Eu não sei, às vezes sinto como se algo ruim estivesse para acontecer. — Aaron segura meu queixo de forma firme, fazendo com que eu olhe em seus olhos.
— Eu prometo que nada vai atrapalhar nosso relacionamento. Qualquer obstáculo que surgir, nós daremos um jeito. — Passo a mão delicadamente em suas bochechas, subindo para sua cicatriz no rosto, e dou a Aaron um beijo apaixonado, como forma de demonstrar toda a gratidão que sinto por ele me amar apesar das circunstâncias. Nosso beijo é calmo e sereno, assim como um Plié no balé.

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