A meio da noite, Inês estava sentada na cadeira de campismo em frente à tenda, com o casaco de Rodrigo Simões sobre os ombros.
A noite ia alta e o orvalho caía. Ela puxou a roupa um pouco mais sobre si, observando-o silenciosamente a mexer no telescópio, saciado e satisfeito, apesar de haver um observatório ali mesmo.
No entanto, ver o quanto Rodrigo Simões adorava aquele telescópio fazia com que um sorriso brotasse nos lábios de Inês.
Rodrigo Simões observou as estrelas por um momento, olhou para trás, para Inês, caminhou até ela e ergueu-a nos braços. Sentou-se no lugar dela e deixou que Inês se aconchegasse no seu peito largo.
— Tem uma cadeira ali ao lado, cuidado para não quebrar esta.
— Não vai quebrar. — Rodrigo Simões não era de se reprimir pela etiqueta. Desde o primeiro momento em que vira Inês não o fora, e em todas as vezes que ela esteve ao seu lado também não. Apenas no início, quando Inês ainda era a esposa de outro, ele tivera de manter alguma ética moral.
Inês moveu o corpo e Rodrigo Simões segurou-lhe a cintura, dizendo-lhe para não se mexer muito. Como não tinham trazido os preparativos necessários para a tenda, tiveram de recorrer a outros métodos e exercer algum autocontrole.
A faísca estava sempre lá, bastava um pequeno atrito para acender.
Inês parou de se mexer.
Rodrigo Simões percebeu que aquela posição talvez não fosse muito confortável para ela, por isso ergueu-a um pouco, ajustando-a para uma postura melhor.
— Está melhor agora? — A voz profunda do homem misturou-se com a noite tranquila.
— Está. — Inês recostou-se naturalmente no peito dele, erguendo o olhar para o céu estrelado.
As mãos dos dois entrelaçaram-se, os anéis nos dedos médios tocando-se firmemente.
Inês disse num fio de voz: — Antes eu queria levar você à montanha atrás do Orfanato para ver as estrelas. Afinal, também se consegue ver daqui.
Rodrigo Simões: — Gosta de estrelas?
Inês: — O meu gostar é diferente do seu. Eu só gosto de olhar de longe assim, miudinhas, a brilhar. Como toda a gente neste mundo, se não brilharem esta noite, haverá sempre uma noite em que brilharão. Não precisam de iluminar toda a gente como a lua, basta brilharem por si próprias como uma estrela.
Rodrigo Simões acariciou-lhe gentilmente as costas, parecendo pensar em algo.
— Não faz mal, eu vou fazer com que você sinta gradualmente essa realidade.
— E se demorar muito, muito tempo...
— O nosso tempo também é muito, muito longo. — Rodrigo Simões abraçou-a, olhando para a noite, com um tom de voz calmo e firme: — Por isso não faz mal.
Os dois ficaram abraçados à espera que o horizonte clareasse, à espera do mar de nuvens e do sol a nascer lentamente.
— Bom dia. — A voz de Adrian Soares chegou aos seus ouvidos. Ele puxou distraidamente uma cadeira de campismo e sentou-se a um metro de distância, dizendo com um sorriso: — Não atrapalhei vocês a verem o nascer do sol, pois não?
Inês: — Não.
Rodrigo Simões teve vontade de dizer que mesmo que tivesse, já se tinha sentado.
Inês reparou nas olheiras de Adrian Soares: — Não dormiu bem?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Pra que um livro tão longo? É muito cansativo. Estou no capítulo 244 só agora ela foi revelada, para mim o livro só teria mais o envolvimento dela com o Rodrigo e acabaria ai, mas não, tem que passar de mil capítulos....
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...