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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 1063

De julho a novembro, Inês Jardim passou mais de quatro meses no País W. Durante quarenta e cinco dias, não viu a luz do sol, e no resto do tempo, esteve acorrentada.

Aquelas pesadas tornozeleiras eletrônicas esfolaram a sua pele, causando sangramentos que eram tratados com pomadas e voltavam a abrir devido ao atrito. Contudo, elas nunca conseguiram impedi-la de seguir em frente. A cada passo que dava, levantava os pés um pouco mais alto e pisava no chão com firmeza.

As acusações infundadas do País W não poderiam quebrar as suas pernas, muito menos dobrar a espinha dorsal do Brasil.

Em apenas quatro meses, Inês viu aqueles que haviam colocado a tornozeleira eletrônica em seus pés se curvarem, na mesma postura servil, para retirá-la.

No momento em que foi removida, sentiu-se leve como uma pena.

Inês não precisou dar um passo; a equipe da embaixada se aproximou e ficou atrás dela. O pessoal do País W se afastou instintivamente. Mesmo que houvesse frustração nos olhos de alguns deles, não podiam mais detê-la, nem cobiçar a tecnologia de ponta que ela dominava.

O pessoal da embaixada trouxe roupas e sapatos limpos, dizendo que foram enviados pela família dela.

Inês logo reconheceu que as peças vieram da Enseada do Luar. Rodrigo Simões havia mandado lhe entregar uma infinidade de roupas, sapatos e joias, e tudo ficava impecavelmente organizado no deslumbrante closet dela. Embora não costumasse usá-las, ela via as peças sempre que entrava para escolher suas roupas.

Junto, havia um tubo de pomada lacrado.

Era a mesma pomada que Rodrigo usava nela toda vez que ia visitá-la.

Após aplicar a pomada, ela calçou as meias macias e os sapatos baixos, vestiu o suéter quentinho e o casaco, amarrando o cinto.

Ela voltava ao seu país limpa e inocentada.

Mas, foi apenas no momento em que seus pés tocaram sua terra natal e o vento frio do final do outono bateu em seu rosto que Inês sentiu, de fato, que estava em casa.

O aeroporto estava muito silencioso naquele dia. Não havia outros aviões decolando ou aterrissando, nem passageiros puxando malas; apenas os comissários de bordo, a equipe de terra e os seguranças em pé, alinhados com postura impecável, ao lado de soldados com semblantes imponentes.

Era a primeira vez que Inês via um evento daquela magnitude. Ela acenou levemente com a cabeça e agradeceu a cada pessoa que a olhava.

Diante da delegação enviada diretamente pelas autoridades da Cidade Balma, Inês disse:

— Obrigada por me trazerem para casa.

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